Crise econômica ameaça ampliação da UE

Diante da recessão e das incertezas que pairam sobre o futuro institucional da União Europeia (UE), alguns países europeus, como a Alemanha, querem frear a entrada de novos Estados na UE, uma posição criticada pelos Balcãs, que se recusam a pagar o preço da crise econômica.

AFP |

Dez dias depois da demanda da chanceler alemã, Angela Merkel, de observar uma "pausa" na ampliação da UE depois da entrada da Croácia, prevista para 2010 ou 2011, os ministros das Relações Exteriores da União vão se reunir sábado na República Tcheca com todas nações às quais prometeram a adesão: Croácia, Macedônia, Montenegro, Albânia, Bósnia e Sérvia.

Todos estes países "ficaram muito irritados com as declarações de Merkel", explicou uma fonte diplomática europeia.

A chanceler alemã justificou a pausa pela necessidade para a UE de aprender a funcionar com o tratado de Lisboa, que deve entrar em vigor no início de 2010, antes de receber outros membros.

"A história provou que a ampliação da UE faz sentido, não apenas no âmbito político mas também no econômico", declarou esta semana em Bruxelas o vice-primeiro-ministro sérvio, Bozidar Djelic.

O comissário europeu para a Ampliação, Olli Rehn, citou o exemplo da Turquia - cujas negociações de adesão à UE estão quase paralisadas - para conclamar os europeus a cumprirem com as promessas feitas aos Balcãs.

"A erosão destas expectativas afetou as reformas na Turquia", afirmou.

"Precisamos evitar que o mesmo aconteça com os Bálcãs, que são ainda mais frágeis", advertiu, expressando preocupação com a possibilidade de estes países se tornarem os "bodes expiatórios" das crises econômica e social.

De acordo com vários dirigentes europeus, a UE não vai se alinhar na posição alemã, que só seduziu até agora a Holanda e a Bélgica.

Contudo, na prática, este processo de ampliação já chegou a um impasse para muitos países.

A progressão da Croácia, que iniciou suas negociações de adesão em 2005 e pretende entrar na UE em 2010 ou 2011, está bloqueada há vários meses pela Eslovênia devido a um conflito fronteiriço entre os dois países que data da época da Iugoslávia.

Alguns Estados membros, entre os quais a Alemanha, também estão impedindo há várias semanas a transmissão à Comissão da candidatura de Montenegro.

A Holanda, por sua vez, continuará vetando a entrada da Sérvia na UE enquanto o ex-chefe militar dos sérvios da Bósnia, Ratko Mladic, indiciado por genocídio, não estiver atrás das grades.

A Macedônia, candidata oficial há três anos, está esperando ansiosamente a definição de uma data para a abertura de suas negociações de adesão.

Para o deputado europeu Joost Lagendijk, especialista dos Balcãs, esta lentidão generalizada "vai continuar".

"Depois da Croácia, todas as decisões serão provavelmente adiadas por pelo menos dois anos, até que a situação fique mais clara sobre o tratado de Lisboa e a recuperação econômica", declarou.

"Essa lentidão pode provocar um fortalecimento dos sentimentos nacionalistas, e contribuir para o retorno dos conflitos nos Balcãs", alertou o especialistas, avisando que a UE "não pode colocar uma barreira em volta" destes países.

"Se a Europa não cumprir com suas promessas, enfrentaremos graves problemas de instabilidade política e de enfraquecimento dos mercados de exportação dos produtos europeus", advertiu o comissário Rehn.

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