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Crise econômica alimenta bomba relógio para direitos--Anistia

Por Adrian Croft LONDRES (Reuters) - A crise econômica global agravou as violações aos direitos humanos e distraiu a atenção de abusos, afirmou a Anistia Internacional nesta quinta-feira.

Reuters |

A secretária-geral do grupo, Irene Khan, alertou no relatório anual da entidade que o mundo enfrenta um grave risco de que "o aumento da pobreza e das desesperadas condições socioeconômicas possa causar instabilidade política e violência em massa."

Os direitos humanos, segundo ela, estão sendo "relegados ao banco de trás", e é preciso "um novo acordo global sobre os direitos humanos... para desativar a bomba-relógio dos direitos humanos."

Em entrevista à Reuters, ela disse que se trata de os governos cumprirem suas obrigações acerca dos direitos humanos, e não da criação de novos tratados.

"Estamos sentados num barril de pólvora de desigualdade, injustiça e insegurança, e ele está a ponto de explodir", escreveu ela no relatório, intitulado "O estado dos direitos humanos do mundo."

De acordo com ela, num prenúncio dessa situação, em vários países houve protestos contra o preço dos alimentos e as condições econômicas reprimidos com violência no ano passado, e manifestantes foram mortos na Tunísia e Camarões.

Khan afirmou ainda que a xenofobia está se espalhando, e citou ataques a imigrantes na África do Sul, há um ano, que mataram pelo menos 56 pessoas.

A ativista disse ainda que, enquanto os líderes mundiais estão concentrados em resolver a crise econômica, estão negligenciando conflitos que provocam abusos disseminados aos direitos humanos, como em Gaza, Darfur, Congo e Afeganistão.

Em países exportadores, centenas de milhares de migrantes perderam seus empregos, o que deixa mais "jovens desocupados, desiludidos e irados em suas aldeias, uma presa fácil para políticos extremistas e a violência."

Um ponto positivo, disse Khan à Reuters, é a mudança de posição dos EUA na "guerra ao terrorismo", representada pela decisão do governo de Barack Obama de fechar a prisão militar da base de Guantánamo.

Lembrando que quase 1 bilhão de pessoas no mundo sofrem de fome e desnutrição, Khan afirmou que a escassez de alimentos foi agravada pela discriminação e pela manipulação política da distribuição alimentar.

No Zimbábue, onde 5 milhões de pessoas precisavam de ajuda alimentar ao final de 2008, o governo usou a comida como arma contra seus adversários políticos, disse ela, enquanto na Coreia do Norte as autoridades deliberadamente restringiram a ajuda alimentar para oprimir o povo.

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