Crise econômica agravou abusos contra os direitos humanos, diz ONG

A crise econômica internacional agravou abusos aos direitos humanos, desviou a atenção deles e criou novos problemas, afirma um relatório anual divulgado nesta quinta-feira pela organização não-governamental Anistia Internacional. De acordo com o documento, intitulado O Estados dos Direitos Humanos em 2009, que traz dados relativos a 2008, os direitos humanos estão sendo relegados a segundo plano em nome da recuperação econômica.

BBC Brasil |

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"O mundo precisa de uma nova ordem mundial em termos de direitos humanos, não de promessas de papel, mas do comprometimento e ações concretas de governos para neutralizar esta bomba relógio", afirma Irene Khan, secretária-geral da Anistia.

"Líderes mundiais precisam investir em direitos humanos com o mesmo propósito com que investem na economia", defende a secretária.

Na avaliação de Khan, de Gaza a Darfur, da República Democrática do Congo ao Sri Lanka, "o número de mortos em conflitos é alarmante" e a reação da comunidade internacional, "chocante".

A secretária ainda cita contradições em países como a Somália, onde enormes esforços são investidos na luta contra a pirataria ao mesmo tempo em que é crescente o fluxo de armas que contribui para a morte de civis no país.

"Ignorar uma crise para focalizar em outra é uma receita para agravar as duas. A recuperação econômica não será sustentável ou igualitária se os governos falharem em combater abusos que aprofundam a pobreza ou conflitos armados que geram novas violações".

Guantánamo
O relatório ainda critica a liderança do G-20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo. Na avaliação da Anistia, a liderança do grupo está "arruinada" por abordagens equivocadas em relação aos direitos humanos.

"Abusos, retórica sem ações e promoção dos direitos humanos no exterior ao mesmo tempo em que se esquece de fazer o dever de casa não conferem confiança necessária à liderança do G20".

A Anistia Internacional diz que a China e a Rússia "são provas de que economias abertas não levam a sociedades abertas".

A ONG, no entanto, elogiou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de fechar, no prazo de um ano, o centro de detenção de Guantánamo, em Cuba.

O relatório defende que os responsáveis por crimes relacionados ao terrorismo sejam levados à Justiça, salientando que a decisão de Obama "fortalecerá, em vez de enfraquecer, a segurança global e a autoridade moral dos Estados Unidos".

O relatório anual da Anistia Internacional avaliou a situação dos direitos humanos em 157 países, incluindo o Brasil, de janeiro a dezembro de 2008.

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