Praga, 12 mai (EFE).- Chanceleres e representantes dos 23 países latino-americanos que formam o Grupo do Rio, entre eles o Brasil, se reúnem amanhã em Praga com seus colegas da União Europeia (UE) para fazer um balanço das relações entre as duas partes, em um difícil momento marcado pela recessão econômica mundial.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, não deve participar do encontro.

Embora a agenda oficial preveja a segurança energética, a luta contra a mudança climática, a recuperação do crescimento econômico e a estabilidade financeira como assuntos principais de debate, outras urgências somaram-se aos trabalhos.

Os latino-americanos reivindicam da Europa um esforço maior no comércio e na manutenção de sua ajuda ao desenvolvimento, apesar da crise.

O México, que ocupa a Presidência rotativa do Grupo do Rio, pretende abordar também a questão da pandemia de gripe suína, que está tendo consequências muito negativas para a economia e a imagem do país.

A comissária para as Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Waldner, confirmou hoje à Agência Efe que os presentes à reunião de amanhã demonstrarão ao México sua solidariedade pela epidemia e agradecerão às autoridades mexicanas pela resposta "rápida e eficaz" que deram ao problema.

Segundo Ferrero-Waldner, as delegações já têm praticamente pronta uma declaração sobre o problema da gripe. Ela será publicada amanhã em Praga de forma separada das conclusões propriamente ditas da reunião ministerial.

Apesar do nome, a gripe suína não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados.

Há um ano, quando os chefes de Estado ou Governo das duas regiões se reuniram na bem-sucedida cúpula de Lima, nada indicava que o clima econômico mudaria radicalmente em tão pouco tempo.

Neste sentido, Ferrero-Waldner também anunciou a criação de uma "facilidade financeira" especial para a América Latina, que permitirá canalizar créditos para projetos em campos diversos, como o de infraestrutura.

A 14ª conferência ministerial entre a UE e os membros do Grupo do Rio, que será realizada amanhã, no Centro de Congressos de Praga, terá notáveis ausências nos dois lados.

A crise interna vivida pela Comunidade Andina de Nações (CAN), em iminente risco de ruptura por causa das negociações comerciais com a UE, fez com que os ministros das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, e do Equador, Fander Falconí, não viajassem a Praga.

Também não devem participar do evento os chanceleres de Panamá, Guatemala, Nicarágua, Honduras, Venezuela e Argentina.

Por outro lado, o novo ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, confirmou sua presença. Ele esteve ontem em Bruxelas para realizar diversas reuniões com as principais autoridades da UE.

É a primeira vez, desde sua incorporação ao Grupo do Rio em novembro passado, que Cuba participa de uma reunião do gênero.

Na quinta-feira, a UE se reunirá separadamente com os dois países com os quais mantêm acordos de associação - México e Chile -, com o grupo da América central e com representantes do Mercosul.

O encontro que estava previsto para esse dia entre a CAN e a UE foi cancelado, da mesma forma que o projeto de declaração conjunta.

Segundo informaram à Efe fontes européias, a ausência da Bolívia levou a Presidência de turno da CAN, atualmente exercida pelo Equador, a cancelar a reunião entre o grupo andino e a UE.

Já fontes diplomáticas peruanas assinalaram que, na negociação do projeto de conclusões do encontro UE-Grupo do Rio, Equador e Venezuela insistiram em acrescentar alguns parágrafos que seus parceiros andinos não estão dispostos a aceitar.

Entre outros assuntos, o Equador queria deixar claro que o acordo comercial que negocia com a UE não é um "tratado de livre-comércio".

O ministro Falconí decidiu viajar hoje a La Paz para tentar solucionar as objeções bolivianas à negociação com a UE e a situação da CAN.

A Bolívia considera que os procedimentos internos de decisão na CAN não foram respeitados quando Peru, Colômbia e Equador decidiram continuar as negociações comerciais com a UE de forma bilateral e não como bloco. EFE jms-rja/bba

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