María Peña. Washington, 4 jan (EFE).- A aprovação de um plano de estímulo econômico, além da investigação de vários escândalos e da confirmação dos novos cargos são os desafios do novo Congresso dos Estados Unidos que, com forte maioria democrata, constitui-se oficialmente na terça-feira.

Após sua vitória na eleição de 4 de novembro, os democratas retornam a ambas câmaras do Congresso com pronunciada maioria, mesmo quando várias disputas apertadas seguem inconclusas, entre elas a que opõe o democrata Al Franken ao republicano Norm Coleman pela cadeira do Senado por Minnesota.

Antes de debater as prioridades do entrante Governo, os legisladores têm urgência de responder a dois escândalos simultâneos, um em Wall Street e outro em Illinois.

Sem ter se formado oficialmente, o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara de Representantes (Deputados) reúne-se amanhã para examinar a suspeita de fraude de US$ 50 bilhões do investidor da bolsa Bernard Madoff.

Essa reunião, segundo o legislador democrata Paul Kanjorski, ajudará a elaborar a maior reforma das leis que regem os mercados financeiros desde a Grande Depressão na década de 1930 nos Estados Unidos.

Os legisladores querem saber por que a Comissão da Bolsa de Valores (SEC, na sigla em inglês) foi incapaz de detectar a tempo o negócio fraudulento atribuído a Madoff e, sobretudo, que salvaguardas são necessárias para proteger os investidores de novos casos semelhantes.

Por outro lado, a bancada democrata do Senado, liderada por Harry Reid, já indicou que não aceitará entre eles Roland Burris, nomeado na terça-feira pelo governador democrata de Illinois, Rod Blagojevich, em substituição ao presidente eleito, Barack Obama.

Uma lei estadual permite que o governador nomeie o sucessor de Obama, que deixou vage a cadeira no Senado ao ganhar a Presidência.

Mas Blagojevich enfrenta fortes pressões para renunciar por ser acusado de corrupção por tentar "vender" a vaga ao melhor licitante.

Embora Burris seja alheio ao escândalo, "começaria com muitas dúvidas devido a quem o nomeou, e a Constituição autoriza o Senado a decidir, por voto, se o aceita ou não", disse à agência Efe José Parra, um porta-voz de Reid.

Desde 1913, só houve quatro casos em que as nomeações foram negadas. Um dos nomeados morreu enquanto era investigado por corrupção e os demais "fizeram suas malas e decidiram não questionar a decisão do Senado", explicou Parra.

Em última instância, se Burris recorrer a um processo legal, a Corte Suprema interpretará a autoridade constitucional do Senado.

A 111ª legislatura, que começa formalmente na terça-feira, 6 de janeiro, analisará ainda prioridades como um milionário plano de estímulo econômico e as reformas energética e do sistema de saúde.

Ontem, Obama pediu aos legisladores a atuar com rapidez para aprovar um plano de estímulo econômico com o qual pretende criar 3 milhões de postos de trabalho e que, segundo os cálculos de seus assessores, pode variar entre US$ 675 bilhões e US$ 775 bilhões.

Antes, os legisladores iniciarão os trabalhos com as audiências de confirmação dos novos membros do Gabinete do presidente eleito.

O Comitê de Saúde, Educação e Trabalho do Senado, presidido pelo democrata Edward Kennedy, realizará na quinta-feira uma dessas audiências para o ex-senador Tom Daschle como secretário de Saúde e na sexta-feira fará outra sobre a representante Hilda Solís como secretária de Trabalho.

Na terça-feira da semana seguinte, 13 de janeiro, o mesmo comitê analisará a nomeação de Arne Duncan como secretário de Educação.

Segundo os observadores, a audiência mais controvertida e que receberá maior atenção da imprensa será, sem dúvida, a de Eric Holder como próximo procurador-geral e secretário de Justiça.

Desde 1789, o Senado rejeitou formalmente menos de 2% das nomeações de um novo presidente, e em pouquíssimas ocasiões o governante teve que desistir de algum dos assessores propostos.

Obama assumirá o Governo com um vasto capital político, já que sua vitória ajudou a ampliar a maioria democrata no Senado para um total de 58 cadeiras.

O Senado não fixou as audiências de confirmação do resto das nomeações, incluindo a da senadora Hillary Clinton como secretária de Estado.

Caso seja confirmada, a ex-primeira-dama seria a terceira mulher em ocupar esse cargo.

Os senadores querem votar todas as nomeações antes da posse de Obama, em 20 de janeiro. EFE mp/jp

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