Crise do Governo argentino provoca renúncia do chefe de Gabinete

Buenos Aires, 23 jul (EFE).- A renúncia de Alberto Fernández, que era chefe de Gabinete do Governo argentino desde 2003, se junta a uma lista de vítimas da crise enfrentada pela presidente Cristina Fernández de Kirchner, que está há sete meses no poder.

EFE |

Em meio a especulações sobre mudanças no Governo, Cristina aceitou hoje a renúncia de Fernández e para o seu lugar nomeou Sergio Massa, prefeito de Tigre.

Massa, de 36 anos, foi titular da Administração Nacional de Segurança Social (ANSES), entre 2002 e 2007 e criou a política de reversão do sistema de aposentadoria privado do ex-presidente Carlos Menem (1989-1999).

Cristina, que ainda não falou sobre as mudanças em seu Governo, chamou hoje Massa à residência presidencial de Olivos para comunicar sua decisão durante uma reunião na qual, segundo a imprensa local, também esteve o marido e antecessor dela, Néstor Kirchner.

Durante seus primeiros quatro anos no cargo, a acumulação de responsabilidades o transformou Fernández em um dos políticos mais poderosos do país.

Apesar de algumas vezes expressar publicamente seu cansaço com o cargo, ele voltou a ocupar a chefia do Gabinete em dezembro passado, quando o Governo de Cristina Fernández assumiu.

Nestes sete meses, Alberto Fernández esteve bastante exposto com o conflito entre Governo e o campo devido ao aumento tributário rejeitado pelo Senado na última quinta-feira.

A imprensa argentina acreditava que a renúncia do chefe de Gabinete funcionaria como primeiro passo para facilitar uma suposta operação de renovação do Governo que, segundo alguns analistas, deveria promover a saída de colaboradores de Néstor Kirchner.

Entre eles, estariam o ministro do Planejamento, Julio de Vido, e o secretário de Comércio, Guillermo Moreno.

A renúncia de Alberto Fernández, segundo o analista local Marcelo Bonelli, foi aceita após uma tensa conversa entre o chefe de Gabinete com o casal Kirchner na residência presidencial.

Na conversa, os Kirchner teriam recriminado o papel dele na crise com o campo e seu apoio ao ex-ministro da Economia Martín Lousteau, que renunciou em abril após ser considerado o responsável pelo aumento de impostos que provocou o conflito com os produtores agrários.

Após o revés sofrido por Cristina Kirchner com a derrota de sua proposta tributária no Senado, as mudanças que analistas e oposição esperavam no Gabinete se limitaram até agora à demissão de alguns funcionários, como o secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca, Javier De Urquiza. EFE mar/rb/plc

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