Crise: dirigentes da UE pressionados a agir ante o aumento do desemprego

Os apelos se multiplicam para levar a União Européia a elaborar uma verdadeira estratégia de proteção dos empregos, num momento em que os trabalhadores europeus exprimem seu temor a uma espiral incontrolável de desemprego.

AFP |

Líderes europeus - reunidos nesta quinta e na sexta-feira em Bruxelas para tentar encontrar soluções para a crise - puseram em prática medidas nacionais voltadas para a manutenção do emprego nas empresas sem, no entanto, impedir as demissões.

Entre 1,2 milhão e 3 milhões de pessoas, segundo estimativas da polícia e dos sindicatos, manifestaram-se em toda a França nesta quinta-feira, em mais de 200 passeatas, para tentar arrancar do governo novas medidas em defesa dos assalariados.

Ante à deterioração da situação, o comissário europeu das relações econômicas, Joaquin Almunia, preconizou durante a semana "uma primavera de diálogo para evitar um outono quente".

No conjunto dos 27 países da UE, 672.000 pessoas perderam o emprego no quarto trimestre de 2008. E cerca de 4,5 milhões de europeus deverão conhecer o mesmo destino em 2009 por causa da crise, prevê o patronato europeu.

Para amortecer o choque, muitos países da UE encorajam o recurso ao desemprego parcial, com o Estado compensando as empresas ou os trabalhadores pelas horas de trabalho perdidas. A Áustria ou a Alemanha permitem até os trabalhadores temporários se beneficiarem disso.

Muitos propõem também uma redução dos encargos sociais em troca da manutenção dos empregos. Às vezes de maneira seletiva: a Espanha visa aos mais vulneráveis, a Suécia, aos trabalhadores de menos de 26 anos; Portugal, aos de mais de 55 anos.

Mas o esforço vem se mostrando insuficinte, afirmam os socialistas da UE.

"Arriscamo-nos a ter 25 milhões de desempregados na Europa no início do ano que vem", contra 18 milhões em janeiro, preveniu o presidente do Partido Socialista europeu, o dinamarquês Poul Nyrup Rasmussen.

"Deveria haver muito mais investimentos para garantir os empregos", preconizou, considerando que a Comissão age com atraso desde o começo da crise econômica.

A UE deve, além disso "amenizar, como prioridade, o impacto social da crise", considerou o secretário de Estado espanhol para as Relações europeias, o socialista Diego Lopez Garrido - seu país conheceu um aumento espetacular do desemprego, com uma taxa de 14,8% em janeiro.

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