Roma, 29 jan (EFE).- A crise diplomática entre Brasil e Itália pelo caso do ex-ativista italiano Cesare Battisti se transferiu para o amistoso entre as seleções dos dois países, marcado para o dia 10 de fevereiro, em Londres.

Autoridades italianas se manifestaram contra a realização da partida, em protesto ao gesto do Governo brasileiro, que concedeu o status de refugiado político a Battisti.

O ministro da Defesa italiano, Ignazio La Russa, disse que desistiu de assistir à partida e considera que o momento não é apropriado para a realização do jogo.

"Eu tinha já reservado a passagem de avião para ver o jogo entre Brasil e Itália, mas agora decidi que não vou. Trata-se de um amistoso, e neste momento não vejo sinais de amizade com o Brasil", disse.

"Acho que esta partida deveria ser suspensa. Este não parece ser o momento adequado para disputar um amistoso com um país que deixa um terrorista e assassino passear tranquilamente pelas praias do Rio de Janeiro", acrescentou.

O secretário de Relações Exteriores italiano, Alfredo Mantica, foi um dos primeiros a propor o cancelamento da partida e voltou a afirmar que ela não deveria ser realizada.

"Esta partida não deve acontecer. Assim, o esporte se transformaria em um gesto de reflexão", afirmou.

Por sua vez, a ministra da Juventude, Giorgia Meloni, disse que a suspensão do jogo de Londres seria a decisão "mais sensata". No entanto, reconheceu que a medida geraria protestos e propôs aos jogadores que façam algum tipo de manifestação.

"Seria uma boa iniciativa se os jogadores da seleção italiana entrassem em campo com uma tarja preta no braço, em sinal de luto", afirmou.

Até o ex-jogador italiano Paolo Rossi, carrasco do Brasil na Copa do Mundo de 1982, se manifestou sobre o assunto.

"É preciso pressionar os brasileiros para que extraditem Cesare Battisti, uma pessoa que cometeu graves delitos", afirmou.

Rossi, no entanto, defendeu a realização do amistoso.

"A partida deve ser disputada, pois um jogo entre Brasil e Itália precisa ficar longe dos problemas políticos", disse.

Já o ministro de Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, garantiu que a partida não vai ser cancelada e ainda disse que os atuais campeões do mundo sairão de campo com a vitória.

"O esporte é um meio para aproximar os povos, e a política não tem que entrar. A partida vai acontecer e nós vamos vencê-la", disse. EFE ccg/plc

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