Crise da Geórgia pode privar o acesso de astronaustas dos EUA ao espaço

O odor de Guerra Fria que emana da crise russo-georgiana pode acabar privando os Estados Unidos do acesso ao espaço se o Congresso impedir a Nasa de contratar os vôos da nave Soyuz russa depois da aposentadoria dos ônibus espaciais americanos.

AFP |

Os três ônibus espaciais serão retirados de serviço em outubro de 2010, quando for completada a construção da Estação Espacial Internacional (ISS).

O sucessor do ônibus, a cápsula Órion, atualmente em desenvolvimento dentro do programa Constellation - que visa levar de novo os americanos à Lua - não voará antes de 2015.

À medida que o orçamento anual de 17,5 bilhões de dólares da Nasa é insuficiente para que o ônibus continue voando e financiar o Constellation ao mesmo tempo, a agência espacial decidiu contratar os servicios da Soyuz para ir até a ISS durante este período de transição.

Além disso, as Soyuz são as únicas naves capazes de transportar astronautas para a ISS e trazê-los de volta à Terra.

Mas para que a Nasa possa alcançar um acordo comercial com sua colega russa para contratar os serviços da Soyuz, o Congresso americano deve votar uma exceção à uma lei de 2000 que proíbe às agências federais assinar contratos com paísees que tenham ajudado o Irã e a Coréia do Norte com seus programas nucleares. E a Rússia figura entre esses países.

Uma exceção deste tipo já era alvo de uma forte oposição no Senado antes, inclusive, do início do conflito entre a Rússia e a Geórgia em 8 de agosto. E agora as possibilidades de que esta seja adotada são muito poucas, segundo o senador Bill Nelson, democrata pela Flórida.

"Em um ano eleitoral já era muito difícil que o Congresso conceder uma exceção para pagar centenas de milhões de dólares a uma Rússia cada vez mais agressiva e cujo primeiro-ministro (Vladimir Putin) se comporta como um tzar", declarou o senador recentemente. "Eu diria que agora isso é quase impossível", acrescentou.

Bill Nelson, favorável a esta exceção, considera bastante provável que o Congresso a bloqueie, privando assim os Estados Unidos de meios de ter acesso à ISS depois de 2011, deixando a Estação Internacional "se desintegrar na atmosfera ou cedendo-a aos russos e outros países".

A ISS, um investimento de 100 bilhões de dólares financiados em grande parte pelos Estados Unidos, requer uma presença humana permanente para sua manutenção.

Mesmo que se aprove a exceção, Moscou poderá tentar aproveitar a Soyuz com fins geopolíticos, avalia Vincent Sabatier, especialista do Center for Strategic and International Studies, de Washington.

"Levando em conta as recentes ações russas em termos de fornecimento de energia, não podemos excluir que bloqueiem o acesso à ISS aos americanos por motivos geopolíticos, dando como pretexto um problema técnico", explicou.

Mas a Nasa tenta tranqüilizar: "ainda que os problemas entre os governos possam ter potencialmente um impacto, a Nasa acredita que sempre poderá depender das Soyuz para suas futuras atividades na ISS", indicou a agência em um comunicado.

Segundo John Logsdon, diretor do Space Policy Center da Universidade George Washington, o "Congresso provavelmente votará a exceção nos próximos meses se a Rússia respeitar seus compromissos em relação à Geórgia".

"Não há outra alternativa viável para a Soyz até 2015", sentenciou.

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