Crise com vizinhos pode afetar duramente economia da Colômbia, dizem analistas

A economia da Colômbia pode ser duramente afetada pelas recentes tensões diplomáticas entre o país, Venezuela e Equador, de acordo com analistas ouvidos pela BBC. Segundo os analistas, 22% das exportações colombianas são direcionadas a estes dois países, sendo que 16% das vendas são feitas para a Venezuela e 6% para o Equador.

BBC Brasil |


O comprometimento das relações comerciais pelas tensões políticas com estes países pode afetar a entrada de divisas na Colômbia, causar um aumento no desemprego e uma alta nos preços dos combustíveis nas regiões de fronteira, ainda de acordo com os analistas.

A indústria automotiva pode ser uma das mais afetadas pela crise política, assim como as exportações de gêneros alimentícios como ovos, frango e carne, além dos setores de confecções e sapatos.

Automóveis

Na última terça-feira, durante uma visita à Argentina, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou que seu país importará dez mil automóveis argentinos, em substituição aos que compraria da Colômbia.

As vendas de automóveis colombianos para a Venezuela já chegaram a atingir o patamar de 45 mil unidades por ano. O presidente da Associação Nacional de Autopeças da Colômbia, Túlio Zuloaga, acredita que a diminuição das vendas para a Venezuela pode fazer com que sejam perdidos seis mil empregos diretos na Colômbia.

Para a economista Cecilia López, senadora do opositor Partido Liberal e aspirante a uma candidatura à Presidência colombiana, "é muito difícil medir os efeitos econômicos da crise, mas eles podem ser mais sérios do que o país (Colômbia) pode aceitar".

"O (caso do setor) automotivo é muito sério, porque não temos outros mercados. A indústria automotiva colombiana cresceu por causa da Venezuela nas últimas duas décadas. Se fecham (os mercados de) Venezuela e Equador, não sei onde mais poderemos vender", afirmou.

De acordo com a senadora, os Estados Unidos, principal parceiro comercial da Colômbia, não estão dispostos a comprar do país produtos que conseguem a preços mais baixos na Ásia. Além disso, já houve um declínio de 24% as exportações colombianas para os Estados Unidos.

López disse que o principal problema do comércio da Colômbia com seus vizinhos é que ele "está muito localizado geograficamente, muito centrado em alguns produtos e, além disso, não é fácil conseguir outros clientes".

Impacto

Algumas regiões colombianas poderiam sentir um impacto mais severo do declínio nas vendas com os vizinhos, como o noroeste do país.

Essa já é uma das regiões mais atingidas pelo desemprego na Colômbia, e estatísticas indicam que a indústria local de confecções pode perder 3 mil empregos devido à crise política.

Já os Departamentos (Estados) de Norte de Santander e La Guajira podem sofrer com um aumento nos preços de combustíveis da ordem de 71%, caso deixem de receber a gasolina venezuelana, o que pode estimular ainda mais o contrabando pela fronteira.

Apesar dos prognósticos preocupantes, o governo colombiano está tentando levar mensagens de tranquilidade para a população, anunciando a busca por novos mercados, além de um plano de emergência para ajudar as indústrias afetadas pela crise.

O ministro do Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia, Luís Guillermo Plata, também afirmou que está buscando negociar um acordo com o Equador, depois de o governo do país ter imposto restrições à entrada de mais de 1,3 mil produtos colombianos.

Em mais uma possível medida para tentar contornar uma diminuição no volume de vendas, as autoridades monetárias da Colômbia não descartam uma desvalorização da moeda local.

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