Crise agrava e presidente do Fed pede que Congresso aprove plano do Governo

César Muñoz Acebes. Washington, 24 set (EFE).- O presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, disse hoje que a crise financeira agravou a já delicada situação da economia dos Estados Unidos e pediu a aprovação do pacote de resgate proposto por Washington.

EFE |

A análise feita por Bernanke sobre a economia perante o Congresso foi uma exposição de uma série de indicadores ruins, com os quais pediu com urgência que os legisladores autorizem o Governo a usar os US$ 700 bilhões para intervir nos mercados.

Foi o segundo comparecimento seguido de Bernanke no Congresso, mas os membros da Comissão Econômica Conjunta de ambas as câmaras o receberam hoje com a mesma postura, um misto de dúvida e incomodidade.

"Os contribuintes estão muito irritados com isso", disse, por exemplo, o senador Sam Brownback, principal nome republicano da comissão.

"A idéia sobre os US$ 700 bilhões, que votaremos hoje ou amanhã, é irresponsável", afirmou o congressista democrata Lloyd Doggett.

Aos questionamentos, Bernanke respondeu com o argumento de que se nada for feito, as coisas ficarão ainda mais feias.

"A intensificação das tensões financeiras nas últimas semanas, que farão com que as pessoas que fazem empréstimos sejam ainda mais cautelosas na hora de estender créditos a famílias e empresas, pode significar um freio significativo adicional ao crescimento", alertou Bernanke.

O presidente do Fed afirmou que a recente turbulência "extraordinária" nos mercados representa "uma ameaça direta ao crescimento econômico".

Bernanke assinalou que nos últimos meses perderam força o consumo, o investimento e as exportações, que foram as únicas defesas que durante os piores momentos sustentaram a economia.

Além disso, a crise financeira restringiu o crédito, que Bernanke definiu como "o sistema de encanamentos da economia" por seu papel central no funcionamento.

"Quando as pessoas que fazem empréstimos, preocupadas, reduzem o crédito, a despesa, a produção e a criação de emprego desaceleram", assinalou.

Segundo ele, de animador na economia aparecem os indicadores de certa estabilização no nível de vendas de imóveis, a origem dos problemas americanos.

No entanto, Bernanke disse que esses sinais são "provisórios" e que se o sistema financeiro "congelar" e o crédito desaparecer, a crise imobiliária se aprofundará.

Tudo isto mostra a fraqueza econômica nos EUA na segunda metade deste ano, segundo Bernanke, e uma recuperação gradual em 2009, "à medida que os mercados financeiros voltem à normalidade e a contração imobiliária seguir seu curso".

No entanto, ele alertou que as previsões estão imersas em um nevoeiro repleto de incerteza.

Bernanke complementou as advertências sobre a fraqueza econômica com uma ênfase na inflação e, por essa razão, não deixou claro a possível direção da política monetária do Fed.

O presidente do banco central americano reconheceu que as notícias recentes sobre os aumentos de preços "foram mais favoráveis" graças à queda do petróleo e de outras matérias-primas.

No entanto, colocou o risco de um aumento da inflação como uma preocupação relativamente independente da fraqueza econômica. Mesmo assim, a maioria dos analistas aposta em uma redução das taxas antes do final do ano.

Muito disso dependerá do que ocorrer nos mercados financeiros e, segundo Bernanke, a "condição prévia essencial" para a recuperação econômica é sua estabilização. Por isso, ele pediu ao Congresso que atue "urgentemente" aprovando o resgate financeiro.

Nenhum dos congressistas rejeitou plenamente o plano bilionário, porém ninguém declarou ainda pleno respaldo sem objeções. EFE cma/rr

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