Os macabros crimes de Charles Manson, que escandalizaram o mundo na era paz e amor dos anos 60, aterrorizaram Hollywood e foram manchete em jornais do mundo inteiro, continuam gerando espanto e fascinação passados 40 anos.

Vários dos assassinatos executados pela "Família" fundada por Manson nos dias 9 e 10 de agosto de 1969 têm seu próprio site. Além disso, livros sobre o assunto têm sido reeditados, e um tour em Hollywood dedicado aos crimes faz cada vez mais sucesso.

Scott Michaels, que oferece o tour "Helter Skelter", dedicado aos crimes de Manson, afirma que os assassinatos adquiriram um status quase icônico.

"Foi uma história de terror na vida real", disse Michaels à AFP. "Envolveu pessoas brilhantes, jovens e glamourosas. Foi o primeiro grande caso criminoso com o qual as pessoas se tornaram obcecadas".

Os detalhes dos assassinatos não perderam sua capacidade de chocar com a passagem do tempo.

Manson, apresentado no julgamento como um homem solitário que enlouqueceu com as drogas, além de ser dono de um cativante poder de persuasão, ordenou que seus devotos matassem pessoas em bairros brancos ricos de Los Angeles, num esforço para desencadear uma guerra racial apocalíptica.

Embora a "Família Manson" tenha sido responsável por pelo menos nove assassinatos, ela é associada principalmente aos ataques em Los Angeles de 9 e 10 de agosto de 1969.

Entre as vítimas estava a atriz Sharon Tate, de 26 anos, mulher do diretor de cinema Roman Polanski. Tate, que estava grávida de oito meses e meio, foi morta a facadas enquanto implorava pela vida de seu bebê.

A atriz morreu junto com outras quatro pessoas em sua casa, no bairro de Hollywood Hills. O ataque foi realizado por quatro discípulos de Manson: Charles "Tex" Watson, Susan Atkins, Patricia Krenwinkel e Linda Kasabian.

Com uma toalha encharcada com o sangue da atriz, Atkins escreveu a palavra "Pig" (porco em inglês) na porta da casa. Na noite seguinte, Manson e outros seis adeptos da seita macabra atacaram a casa do empresário Leno LaBianca, matando-o junto com a mulher, Rosemary.

O jornalista britânico Ivor Davis, cujo livro "Five to die" foi reeditado para coincidir com o aniversário dos crimes, acredita que os assassinatos de Manson tenham representado "o dia em que morreram os anos 60".

"Foi a época de Haight-Ashbury, Woodstock, paz e amor, abrace seu vizinho, deite-se com seu vizinho, transe com seu vizinho", disse Davis à AFP. "E em seguida veio Manson e isso se transformou em 'assassine seu vizinho'".

"O que aconteceu não apenas matou todas essas pessoas, matou, na verdade, uma geração, toda uma atmosfera", estimou Davis.

O ex-procurador de Los Angeles Vincent Bugliosi, que acusou a "Família Manson" e foi co-autor de "Helter Skelter", uma exaustiva descrição dos crimes que se tornou best-seller, afirma que a ferocidade dos assassinatos alimentou o pânico.

"As mortes foram tão terrivelmente brutais e selvagens: 169 facadasm sete tiros. Pareciam ser aleatórios e sem nenhum motivo convencional discernível. Provocou muito medo na cidade", indicou.

Manson e quatro de seus seguidores - Atkins, Watson, Krenwinkel e Leslie Van Houten - fueron considerados culpados de assassinato e condenados à morte. Kasabian, que estava na casa de Tate, aceitou ser a principal testemunha do crime e ganhou a imunidade.

Pouco depois, as sentenças foram transformadas em prisão perpétua, devido à abolição da pena de morte pelo estado da Califórnia. Desde então, Manson, que está com 74 anos, e seus companheiros já solicitaram diversas vezes a liberdade condicional, mas a justiça negou todos os pedidos.

rcw/ap

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