Crianças refugiadas suspendem greve de fome na Grécia

Mais de 120 crianças e adolescentes refugiados na ilha grega de Leros puseram fim, neste domingo, a uma greve de fome que tinha o objetivo de conseguir melhores acomodações para o grupo. O fim do protesto coincidiu com a promessa, feita pelo governo grego, de que os jovens serão transferidos para locais com condições mais apropriadas em território grego continental.

BBC Brasil |

Os meninos, que vieram das montanhas do Afeganistão, realizaram períodos de dois ou três dias de greve de fome porque, segundo eles, o centro de imigração da ilha está lotado e não tem condições sanitárias adequadas.

A maior parte dos que participaram da manifestação era de adolescentes, os mais novos com 11 anos de idade.

O mais jovem, Salman Marufel, cujos pais pagaram US$ 10 mil para que ele fosse levado de Cabul, capital do Afeganistão, à Grécia, disse que fez greve de fome para conseguir ser transferido para Atenas.

"Eu quero ir para Atenas e ser livre", disse Marufel.

Um dos companheiros de Salman, Javed Ahmadzi, de 14 anos, falou, orgulhoso, do drama enfrentado pelos grevistas.

"Fazia 45 dias que nós estávamos aqui e, todos os dias, nós perguntávamos à polícia, ao governo, aos políticos, o que iria acontecer conosco. Mas eles não respondiam. Então, nós fomos forçados a parar de comer para resolver nossos problemas", disse Javed.

Agora, o grupo será transferido para acomodações alternativas. Alguns serão levados para um acampamento de verão na cidade costeira de Rafina. Outros serão acomodados em um centro construído em Atenas para acomodar jornalistas durante os Jogos Olímpicos de 2004.

A Grécia tem sido duramente criticada por autoridades européias por causa do tratamento dado a refugiados.

Mas as autoridades de Leros, uma ilha de 8.500 habitantes, dizem que o local está sendo "inundado" por refugiados por causa da proximidade com a costa da Turquia. Só neste ano, a ilha recebeu quase mil refugiados.

"A responsabilidade por isso é da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos", disse Timotheo Kottakis, prefeito de Leros. "Foram eles que bombardearam o Iraque e o Afeganistão."

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