Crianças de Mianmar ainda sofrem com conseqüências de ciclone

Bangcoc, 7 jul (EFE).- Dois meses após a passagem do ciclone Nargis por Mianmar (antiga Birmânia), mais de 400 órfãos ainda procuram suas famílias, embora cada vez tenham menos esperança de encontrá-las entre os 54 mil desaparecidos na tragédia, anunciou hoje o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

EFE |

Um total de 428 crianças foram separadas dos pais em conseqüência da tempestade e só 15 encontraram suas famílias até agora, segundo dados da agência da ONU.

Os analistas afirmam que no futuro os pequenos sofrerão severos traumas psicológicos pela magnitude e pela forma como aconteceu a catástrofe que destroçou suas vidas.

Muitas crianças vagaram durante dias por arrozais inundados e cheios de cadáveres de pessoas e animais no delta do rio Irrawaddy até serem encontradas pelas autoridades.

Além disso, a força do ciclone foi tanta que a maioria das mais de 85 mil vítimas fatais do "Nargis" eram menores de idade. Em muitos povoados só os adultos sobreviveram.

Segundo os psicólogos, um fato assim deixa uma ferida irreparável na mente da criança, que pode demorar anos para cicatrizar, e inclusive a impede de ser capaz de se relacionar de forma natural com outras pessoas.

Alguns dos primeiros sintomas são apatia, desorientação e perda de memória. No entanto, estes só podem ser considerados sinais inequívocos de trauma caso persistam com o tempo.

Mais 84.530 pessoas morreram e quase 54 mil continuam desaparecidas depois que o "Nargis" arrasou, no começo de maio, o sul de Mianmar.

As Nações Unidas calculam que pelo menos 100 mil dos cerca de 2,4 milhões de afetados não receberam assistência, já que o regime birmanês demorou mais de um mês para abrir a porta aos voluntários estrangeiros. EFE fmg/fh/rr

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