Criança é resgatada após avalanche no sul do Kosovo

Tragédia deixa ao menos nove mortos; frio continua a atingir Europa e 50 mil permanecem isolados pela neve na Sérvia

iG São Paulo |

Uma menina de cinco anos foi encontrada viva nos destroços de uma casa atingida por uma avalanche que deixou ao menos nove mortos, incluindo seus pais, em uma aldeia nas montanhas do sul do Kosovo.

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Shemsi Syla, porta-voz da Força de Segurança do Kosovo, disse que a menina foi encontrada nas ruínas - enterrada em baixo de dez metros de neve - quando oficiais ouviram sua voz e o barulho de um toque de celular.

Osman Qerreti, uma autoridade do local, afirmou à Associated Press que a avalanche deixou ao menos nove mortos na aldeia de Restelica, perto da fronteira de Kosovo com a Macedônia e a Albânia, no sábado. Sete casas, sendo três desabitadas, ficaram destruídas. As equipes de resgate trabalham para encontrar mais uma pessoa.

A garota, identificada somente pelo sobrenome, Reka, se recupera em um hospital na cidade de Prizren, onde médicos afirmam que sua vida não corre perigo. Ela ficou sob a neve por mais de 10 horas.

A missão de paz da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) foi chamada para ajudar as autoridades locais nas operações de resgate, mas não conseguiram pousar o helicóptero por conta da nevasca.

Equipes de resgate e moradores usando pás desenterraram primeiro os corpos de um casal e seu filho de 17 anos. Seis mais corpos foram encontrados durante a noite de sábado para segunda-feira. "Nenhuma tragédia maior que essa havia atingido essa região", disse Behar Ramadani, policial local. "Dois irmãos e suas mulheres e filhos foram mortos."

A onda de frio na Europa, que começou no fim de janeiro, matou centenas de pessoas - em sua maioria sem-tetos. Fortes nevascas tem coberto os Bàlcãas há mais de duas semanas, com rodovias na região ficando bloqueadas por dias.

Em Montenegro, onde o governo decretou estado de emergência por conta do frio, forças especiais da polícia no domingo conseguiram alcançar cerca de 50 passageiros de um trem que ficou bloqueado por avalanches durante dois dias.

A polícia afirmou que um passageiro de 55 anos morreu de ataque cardíaco na noite de sábado, enquanto outros passageiros ficaram abrigados em um túnel, aguardando pelo resgate.

O aeroporto em Podgorica, em Montenegro, permaneceu fechado durante o domingo e as ruas foram bloqueadas pela neve que alcançou 57 centímetros - a maior altura na capital desde o inverno de 1949.

Autoridades alertaram a população a não dirigir na capitalm enquanto muitos carros foram danificados pelo excesso de neve ou por árvores que caíram. Na Sérvia, a forte nevasca continuou a cair nesse domingo, enquanto cerca de 50 mil permanecem isoladas pela neve em regiões remotas, alguns sem eletricidade.

AP
Soldado Alexander Malkin se aquece durante a tradicional competição de ski em Yakhroma, Rússia

Rússia e vizinhos

O frio siberiano atingiu neste domingo o ponto álgido no centro da parte europeia da Rússia e na vizinha Belarus, enquanto os mortos em todo o espaço pós-soviético chegam a 250, segundo a agência EFE.

Os termômetros marcavam nesta manhã em Moscou 25 graus negativos, enquanto na região da capital russa as temperaturas rondavam os 30 graus abaixo de zero, as mais baixas do inverno. Em Belarus durante a noite os termômetros estavam em 30 graus negativos.

As autoridades confirmaram quatro óbitos, o que motivou críticas da oposição, que acusa o governo de encobrir a realidade. O consumo de gás disparou o que causou problemas de provisão do gás russo para os países europeus que transita em 80% por território ucraniano.

Na Geórgia neste fim de semana morreram duas pessoas congeladas e o frio parece ceder nas caucásicas Armênia, onde reabriu o aeroporto internacional, e Azerbaijão. No centro da Europa e nos Bálcãs 184 óbitos foram contabilizados.

Na Romênia, seis estradas seguem interrompidas pelas nevadas, deixando isoladas 36 localidades do sul e no leste do país.

Europa central e Mediterrâneo

Na Hungria, o frio siberiano causou ao menos 24 mortes e a navegação pelo rio Danúbio se mantém proibida desde quinta-feira à noite por causa do risco que representa o gelo flutuante. Essa importante via fluvial europeia está congelada em grande parte da Bulgária, onde o desastre climático incluiu fortes inundações e fez 23 vítimas.

Na República Tcheca, a temperatura era de 21 negativos deixando cerca de 20 mortos, segundo a agência EFE. Em outros países da região houve mais vítimas do temporal de neve. Seis óbitos na Áustria, quatro na Grécia, dois na Albânia e um morto na Macedônia e na Eslováquia, respectivamente.

Na Itália a situação mais crítica é no centro e na zona oriental, onde neva incessantemente há 72 horas. Em Roma, onde no sábado caiu uma intensa nevada, hoje o sol apareceu e o transporte urbano voltou ao normal.

A onda de frio se transformou neste fim de semana na mais prolongada já vivida na Bélgica em 70 anos, com 14 dias consecutivos de temperaturas negativas no centro do país.

Reuters
Topo do Big Ben, em Londres, fica coberto de neve (10/2/2012)

Reino Unido e Holanda

No Reino Unido, que segue em alerta pelo perigo de gelo, os meteorologistas preveem que após vários dias de frio ártico e temperaturas mínimas de 18 graus abaixo de zero, alta das temperaturas atingirão o país, embora "de forma lenta".

Os holandeses aproveitaram o congelamento de canais do país para o esporte preferido nessa época: a patinação no gelo. Segundo a federação nacional, mais de 1 milhão de pessoas deslizaram no sábado pelos canais e lagos congelados. As previsões indicam que a partir desta segunda-feira as temperaturas começarão a subir paulatinamente.

Com AP e EFE

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