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Criador de Lost levará livro sobre o 11 de Setembro ao cinema

Nova York, 17 mar (EFE).- O diretor e roteirista J.

EFE |

J. Abrams, criador da série "Lost", levará ao cinema o aclamado livro "Let the Great Word Spi", do irlandês Colum McCann, que ganhou o prêmio nacional de literatura dos Estados Unidos em 2009.

McCann confirmou em entrevista à Agência Efe em Nova York que atualmente trabalha 'mano a mano' com Abrams em um roteiro para adaptar o livro para o cinema. "Estou escrevendo o roteiro com Abrams e realmente acho que vai ser um bom filme, porque o livro é muito cinematográfico", explicou.

O escritor disse que não pode dar mais detalhes, embora esteja "tranquilo por estar nas boas mãos de um mestre do cinema".

McCann, que também é autor dos livros "Zoli", "Dancer" e "The Slide of Brightness", reconheceu que sua obra é influenciada pela linguagem do cinema, mas assegurou que, apesar de um ou outro flerte com a sétima arte, pretende "ser fiel" a seus livros para "sempre".

"Let the Great Word Spi" é um retrato da Nova York dos anos 70.

Ele cruza a história de vários personagens que observaram na época o artista francês Philippe Petit passar de uma Torre Gêmea a outra em um corda bamba.

Além do Prêmio Nacional de Literatura, o autor ganhou o respaldo de grande parte da crítica, que considerava o romance um dos melhores livros sobre Nova York.

Embora a obra transcorra em 1974, o texto nasceu do "desejo específico" de McCann de escrever sobre os atentados de 11 de Setembro de 2001 contra o World Trade Center e de fazê-lo "de uma maneira nova".

"Não queria escrever diretamente sobre o 11 de Setembro, mas em um nível mais poético, portanto criei uma alegoria entre a cidade dos anos 70 e a de agora. Tentei pensar na arte da criação, exemplificando na façanha de Petit, em contraposição à arte da destruição que significou os ataques terroristas", explicou.

Ao falar da queda dos personagens Corrigan e Jazzlyn, McCann espera construir "uma ponte alegórica entre as duas épocas marcadas por guerras, como a do Vietnã e a do Iraque, e outros assuntos que continuam no centro das atenções até hoje".

Para o autor, o livro questiona "se uma nação, como um ser humano, é capaz de se recuperar de uma catástrofe dessa magnitude".

Ele fala com carinho dos personagens que povoam o romance: um sacerdote irlandês que vive entre prostitutas no Bronx e um grupo de mães se reúnem para chorar os filhos mortos no Vietnã.

Os livros de McCann já foram traduzidos para 30 línguas e o romance "Let the Great Word Spi" deve ser publicado no Brasil em setembro pela editora Record com o nome "Deixe o grande mundo girar".

"Espero que os leitores encontrem em meu livro a decência que quero transmitir e a noção que todos somos, em muitos sentidos, como é o artista na corda bamba".

McCann era muito amigo de outro irlandês estabelecido em Nova York, Frank McCourt (1930-2009), autor de "As cinzas de Ângela" com que é comparado com frequência. Ele assegura que, "apesar de suas diferenças literárias", via o escritor como "um irmão" cuja morte ainda sente. EFE dvg/pb-sa

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