Londres, 6 out (EFE).- O brasileiro Jean Charles de Menezes foi vítima de circunstâncias terríveis e extraordinárias, declarou hoje Cressida Dick, responsável direta pela operação na qual o jovem brasileiro foi morto.

Dick, subcomissária da Scotland Yard, afirmou isto em depoimento para a investigação pública sobre a morte de Jean Charles, concedido no sul de Londres.

Segundo a subcomissária, os agentes que participaram da operação policial do dia 22 de julho de 2005 na estação de metrô de Stockwell - na qual o brasileiro morreu - não fizeram nada errado.

A agente enumerou uma série de coincidências "desafortunadas" ao prestar depoimento hoje.

Entre estas coincidências mencionou o fato de Jean Charles morar no mesmo edifício de Hussain Osman, um dos terroristas envolvidos nas tentativas de atentado de 21 de julho de 2005 contra a rede de transporte da capital britânica.

Dick disse que o brasileiro era parecido com Osman e usou a mesma estação de metrô do terrorista.

Além disso, a agente afirmou que o policial que vigiava Osman ficou doente naquele dia e foi substituído por outro.

"Jean Charles - acrescentou - foi vítima de circunstâncias terríveis e extraordinárias".

"Foi muito infeliz por viver no mesmo bloco que Hussain Osman e muito infeliz por se parecer com Hussain Osman", acrescentou.

O depoimento de Dick foi escutado pela mãe do brasileiro, Maria Otone de Menezes, que acompanhou hoje pela primeira vez a investigação pública sobre a morte de seu filho.

Otone de Menezes, usando roupas negras, posou hoje para os fotógrafos ao chegar ao local onde foi dado o depoimento, mas não quis declarar nada.

A mãe de Jean Charles chegou ao Reino Unido na última sexta acompanhada por seu filho mais velho. EFE vg/fal

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