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Crescimento sustentável é chave real para estabilidade na AL, diz FT

Um crescimento sustentável é a chave real para que os países latino-americanos garantam estabilidade ao longo prazo e evitem ser atingidos por choques como a atual crise financeira global, segundo uma reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal Financial Times. Citando o economista-chefe para a América Latina e Caribe do Banco Mundial, Augusto de la Torre, e outros economistas, o jornal afirma que medidas ortodoxas têm ajudado alguns países da região a se integrar de maneira mais segura aos mercados financeiros globais, mas que a estabilidade a longo prazo depende do crescimento sustentável.

BBC Brasil |

De acordo com o FT, no entanto, vários países da região ainda não implementaram "as reformas estruturais que precisam ser feitas para que isso aconteça, especialmente o corte de gastos extravagantes como a folha de pagamento do setor público."
O Financial Times afirma que, para muitos países, há um fundo de verdade na afirmação de que a região está mais imune ao que acontece nos países desenvolvidos e a crises do tipo enfrentado pela Rússia e países asiáticos no fim dos anos 90.

Ortodoxia
O Brasil, segundo o jornal, é um dos países da região que adotaram as medidas que agora fazem com que suas economias sejam menos vulneráveis.

"No Brasil, por exemplo, (aos) três pilares de estabilidade econômica - uma taxa de câmbio flutuante, excedentes da meta do superávit primário grandes o suficiente para manter a proporção da dívida pública em relação ao PIB em uma tendência de queda e metas de inflação controladas por um banco central operacionalmente autônomo - se juntaram reservas de mais de US$ 200 bilhões para uma proteção robusta contra contágios no mercado financeiro", diz o FT.

O jornal lembra que políticas ortodoxas semelhantes foram adotadas pelo México, Chile, Peru e Colômbia.

Por outro lado, países como a Bolívia, Equador, Nicarágua, Cuba e Venezuela vêm tentando implementar "um socialismo de século 21".

No entanto, o jornal afirma que, enquanto há dúvidas sobre a habilidade desse modelo em proporcionar o crescimento econômico a longo prazo, à medida em que a crise financeira global se desenrolou, não forma esses os países que passaram a mostrar os sinais mais visíveis de tensão, mas sim os que vêm adotando medidas mais ortodoxas.

Um exemplo citado pelo FT foi o fato de investidores estrangeiros terem tirado "mais de R$ 18 bilhões do mercado de ações brasileiro entre junho e setembro."
O jornal afirma que esse êxodo de capitais é menos preocupante do que no passado.

"Investidores estrangeiros vêm tirando dinheiro (do Brasil) para cobrir perdas em outros locais, não porque eles estejam preocupados com o fato dos preços dos ativos brasileiros estarem sob um ataque especulativo como aconteceu nos anos 90."
A reportagem conclui, no entanto, que sem "uma base sólida" proporcionada pelo crescimento sustentável, "muitos países latino-americanos continuarão a ser atingidos por choques externos".

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