Crescimento global deve ser abaixo de zero, diz diretor do FMI

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, afirmou que o crescimento econômico global pode cair para menos de zero em 2009 pela primeira vez nas últimas décadas. A previsão de Strauss-Khan é mais pessimista do que a atual previsão oficial do FMI, de 0,5% de crescimento.

BBC Brasil |

"O FMI espera que o crescimento global desacelere para abaixo de zero este ano, o pior desempenho na maior parte de nossas vidas", disse.

O diretor do FMI acrescentou que a queda mundial nos índices de confiança do consumidor significa que o comércio global está caindo a uma taxa alarmante.

O Banco Mundial também afirmou, na segunda-feira, que espera que a economia mundial encolha em 2009.

Em um discurso na abertura de uma conferência de dois dias do FMI em Dar es Salaam, na Tanzânia, o diretor do FMI afirmou que, apesar de a crise ter sido lenta para atingir os países da África, seu impacto no continente será forte.

"O que temos certeza é de que a crise atingiu a África com força. Não era o caso no início da crise principalmente pelo fato de o setor financeiro da África ter pouca ligação com o setor financeiro das mais avançadas economias do mundo", afirmou.

"Desde o começo afirmamos que haveria algum atraso, mas, no final das contas, a desaceleração em economias avançadas terá consequências na África, em países de baixa renda em geral", acrescentou.

O FMI prevê que o crescimento na África subsaariana desacelere para cerca de 3% em 2009, metade da taxa de crescimento prevista anteriormente.

Strauss-Khan afirmou que a crise poderá reverter todas as melhoras recentes no desempenho econômico da África.

"O problema hoje é que com esta desaceleração no nível global com consequências para a África, existe um risco real de que todos os benefícios que foram conseguidos com muito esforço na última década possam se perder", afirmou.

A conferência de dois dias na Tanzânia vai discutir que tipo de apoio externo o FMI e outros doadores entre os países ocidentais poderão fornecer para diminuir o impacto da crise na África, que tem o mais alto índice de pobreza do mundo.

O diretor do FMI afirmou que políticas normais de recuperação fiscal não são o bastante para ajudar a África em meio à crise mundial.

"Em muitos países você pode relaxar a política monetária para ajudar a diminuir o efeito da crise, em outros casos você tem que reorganizar os gastos públicos para combater as consequências da crise, mas é óbvio que não será o bastante e, mais do que nunca, a África precisa de ajuda estrangeira."
Strauss-Khan reconhece que atualmente, devido ao fato de países doadores estarem sob pressão econômica, é ainda mais difícil obter esta ajuda.

Mas, ele calcula que, em 2009, "22 países precisem juntos de US$ 25 bilhões apenas para equilibrarem suas contas atuais. Claro que o FMI vai fornecer parte disso, mas não temos todos os recursos necessários".

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG