Nova Délhi, 14 out (EFE).- O crescimento econômico da Índia não se traduziu em uma redução dos elevados níveis de fome que sofre o país, revelou hoje em um relatório o Instituto Internacional de Pesquisa em Políticas Alimentares (IFPRI).

A entidade, que divulgou hoje o primeiro índice comparativo sobre níveis de fome entre um total de 17 estados indianos, concluiu que as regiões de Punjab, Kerala, Haryana e Assam são as que apresentam os níveis de fome menos graves, apesar de não serem as regiões com maior crescimento econômico.

No entanto, tanto em Gujarat (oeste), um dos estados mais industrializados da Índia, como em Maharashtra, onde fica Mumbai, os níveis de fome são altos.

"O forte crescimento econômico não necessariamente se traduz em níveis de crise de fome mais baixos. Inclusive os estados com altas taxas de crescimento econômico têm altos níveis de fome", diz o relatório, informa um comunicado do IFPRI.

Além disso, a situação em todas as regiões analisadas no estudo está entre as categorias "grave" e "extremamente alarmante", como é o caso do estado de Madhya Pradesh (centro).

O nível de crise de fome desta última região é comparável a de países como Etiópia e Chade, diz o estudo.

"Apesar de anos de crescimento econômico robusto, a Índia está pior do que 25 estados subsaarianos", acrescentou a nota.

No conjunto do Sul da Ásia o único país no qual a situação ainda é pior é Bangladesh, o que os responsáveis pelo estudo atribuem à maior produtividade agrícola do gigante asiático.

"Este novo índice é uma ferramenta importante para despertar a preocupação sobre as disparidades do nível da crise de fome na Índia, onde há mais pessoas com fome que em qualquer outro país do mundo", declarou Bernhard Hoeper, o diretor para o Sul da Ásia de Welthungerhilfe, uma das instituições que colaborou com o estudo.

Para a elaboração do relatório, os especialistas analisaram três variáveis: a taxa de mortalidade infantil, a proporção de pessoas com déficit de calorias e a prevalência da desnutrição infantil.

Mais de 40% da população infantil da Índia, Iêmen e Timor-Leste estão desnutridos, diz o relatório. EFE mb/fal

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