Crescimento do Tea Party depende de insucesso de Obama

De olho nas eleições de 2012, movimento conservador de direita critica rumos da economia e quer limitação do papel do Estado

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

A metade do mandato de Barack Obama coincide com novas realidades políticas nos Estados Unidos. Além da conquista da Câmara dos Deputados pelos republicanos, a antecipação da campanha eleitoral de 2012 – com republicanos buscando minar a reeleição de Obama – e o movimento Tea Party começam a moldar a atual cara da política americana.

Getty Images
Sharron fez Harry Reid, líder dos democratas no Senado, suar para não perder a cadeira
Com o discurso alimentado pela crise econômica e pela oposição às políticas de Obama, o movimento conservador de direita conquistou duas cadeiras na Casa (com Rand Paul pelo Kentucky e Marco Rubio pela Flórida) e manteve uma no Senado (com Jim DeMint, pela Carolina do Sul), e deve ganhar ainda mais força e destaque nas próximas eleições presidenciais.

“A crise econômica e a perda de perspectiva social subsequente foram responsáveis pelo crescimento do Tea Party", avaliou Cristina Pecequilo, especialista em política americana da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Cristina, porém, faz uma ressalva: "Mas, para desempenhar um papel importante em 2012, terá de se sustentar em uma agenda mais complexa, com propostas sólidas, dimensões propositivas e não apenas críticas.”

Exemplo de sucesso do movimento é o Estado de Nevada. Com a economia baseada no turismo e na construção civil, dois setores fortemente atingidos pela crise, a região que tem a mais alta taxa de desemprego do país é berço de Sharron Angle, ex-candidata republicana ao Senado e uma das maiores estrelas do Tea Party – juntamente com a ex-governadora do Alasca, Sarah Palin. Nas eleições legislativas, Sharron fez o tradicional político Harry Reid, líder dos democratas no Senado, suar para não perder a cadeira que ocupa desde 1987.

O movimento nascido em berço republicano não tem comando central e inclui centenas de grupos espalhados pelo país. Uma pesquisa realizada pelo Washington Post identificou cerca de 1,4 mil grupos espalhados pelo território americano.

Em suas críticas aos rumos da economia, a desconfiança em relação ao governo atual e a bandeira pela limitação do papel do Estado, os membros do movimento demonstram descontentamento em relação a democratas e a republicanos menos radicais.

Novidade e teste para ambos os partidos, o Tea Party tem como trunfo um possível “fracasso” do atual governo. “O movimento mostrou que o pensamento passou a ser reproduzido em níveis menos institucionais e intelectuais”, analisou Rafael Villa, professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP). “O fortalecimento deles dependerá diretamente do sucesso da gestão Obama. Um mau desempenho do presidente poderia levar a seu fortalecimento.”

    Leia tudo sobre: barack obamaeleições legislativaseuacongressosenado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG