Crescer não basta para reduzir desigualdade na AL, diz ONU

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento divulgou nesta quinta relatório sobre desigualdade na América Latina

AFP |

O crescimento econômico não basta para reduzir a desigualdade na América Latina, pois são necessárias diversas políticas sustentáveis ao longo do tempo, declarou nesta quinta-feira o subsecretário geral da ONU, Heraldo Muñoz.

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) advertiu nesta quinta-feira que a desigualdade é uma ameaça ao desenvolvimento da América Latina, apesar do crescimento econômico nos últimos anos, em um relatório regional divulgado em San José.

"Não basta o crescimento econômico, que sempre é importante. Tem de haver políticas específicas que apoiem os mais pobres para que tenham acesso aos benefícios que todos os cidadãos deveriam ter", disse Muñoz ao comentar o relatório do PNUD em uma coletiva de imprensa no Panamá.

"Na América Latina, somos os campeões da desigualdade se compararmos nossa região com outras do mundo. É uma herança de séculos que é necessário atacar e reduzir, porque, caso contrário, causará erosão da coesão social e desapego às instituições democráticas", afirmou Muñoz, que também é administrador auxiliar do PNUD. Para reduzir a desigualdade, são necessárias "políticas de Estado", independentemente de quem governe, "que se sustentem no tempo", completou.

"Houve modelos econômicos na região que acreditavam que com o crescimento econômico haveria uma multiplicação da riqueza e que a mão invisível do mercado ia resolver tudo. Os dados que nós apresentamos demonstram que isso não é assim", disse Muñoz, que afirmou que "talvez seja necessária uma nova economia".

A América Latina é "a campeã mundial" em desigualdade, pois apesar do crescimento econômico, os mais pobres veem que a riqueza "não entra em seus lares", o que pode gerar "frustração, erosão da coesão social, desapego das instituições democráticas e violência", insistiu Muñoz.

O subsecretário geral da ONU visitará San José na sexta-feira, onde participará de um ato oficial de apresentação do relatório do PNUD sobre desigualdade junto à presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla.

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