Crescem especulações sobre possível saída de Hillary da corrida presidencial

Teresa Bouza Washington, 13 mai (EFE).- Crescem as especulações sobre a saída de Hillary Clinton da corrida presidencial, apesar da senadora democrata ter vencido hoje as primárias da Virgínia Ocidental.

EFE |

Do "The Wall Street Journal" até o "New York Post" e à rede de televisão "CNN", a grande pergunta hoje não é se Hillary pode ser a candidata à presidência, mas quais são as conseqüências de sua permanência na disputa pela Casa Branca e os possíveis planos para que ela saia de cena.

Apesar de sua vitória na Virgínia Ocidental, há somente 28 delegados em jogo, que serão divididos proporcionalmente entre ela e seu rival, o também senador Barack Obama, e que não mudarão o panorama, até agora, pouco favorável à ex-primeira-dama americana.

De fato, a distância dela para Obama já não pode ser superada na seis primárias restantes, que serão realizadas em 3 de junho.

Além disso, a elite do Partido Democrata começou a se fechar em torno do senador por Illinois, que na última semana conseguiu o apoio de 26 "superdelegados" - denominação dada às personalidades do partido e funcionários eleitos que participarão da convenção de Denver, em agosto.

Nesse ritmo, Obama poderia alcançar os 2.025 delegados necessários para conseguir a candidatura em três semanas, quando estarão incluídos os delegados da última rodada das primárias.

Encorajado por essa onda favorável, o senador começou a desenhar uma estratégia para as eleições gerais de 4 de novembro, que inclui visitas nas próximas semanas a estados-chave como Flórida e Michigan.

A situação alimentou todo tipo de especulações sobre os planos de Hillary e faz com que a imprensa e analistas fiquem em alerta diante do mínimo sinal de renúncia da senadora.

Serve como exemplo um vídeo enviado ontem por sua campanha no qual Hillary comunica a seus seguidores sua intenção de concorrer nas primárias de Virgínia Ocidental, Kentucky e Oregon, mas não menciona as últimas, em Porto Rico, Dakota do Sul e Montana.

Esse esquecimento é hoje objeto de análise da mídia americana que se pergunta se a senadora poderia anunciar sua desistência na próxima terça-feira, após as eleições de Kentucky, nas quais também se espera que obtenha bons resultados.

Fabiola Rodríguez, diretora de comunicação para hispânicos da campanha de Hillary, afirmou hoje à Agência Efe que a aspirante à Casa Branca pretende continuar "até o final".

A própria senadora adiantou na semana passada que continuaria brigando "até que haja um candidato" e alimentou o mistério sobre seu futuro durante um comício no domingo, no qual leu a carta de uma seguidora.

"A corrida não acabará até que ela diga que acabou", dizia a carta.

Diferentes analistas acham que Hillary poderia ter algum plano "oculto".

Larry Sabato, diretor do Centro de Política da Universidade da Virgínia, disse hoje, em declarações ao "The Wall Street Journal", que um final positivo no processo das primárias a deixaria bem situada para optar pela Vice-Presidência ou voltar a luta pela Casa Branca em 2012 ou 2016.

A estratégia, de todo modo, não está livre de riscos para os democratas, pois pode prejudicar Obama em possível enfrentamento com o candidato presidencial republicano, John McCain.

As primárias republicanas de 1976 e as democratas de 1980 e 1984 oferecem um bom exemplo de que o dano infringido pode ser irreparável.

Nos três casos, o candidato presidencial (Gerald Ford, Jimmy Carter e Walter Mondale, respectivamente) saiu derrotado nas gerais após o desgaste das primárias prolongadas até a convenção de seu partido.

De fato, as primárias de hoje prometem deixar a mostra um dos pontos fracos de Obama: sua incapacidade de atrair a classe branca trabalhadora.

Da mesma forma que outros estados-chave, como Ohio ou Pensilvânia, onde Hillary venceu, Virgínia Ocidental tem uma ampla classe operária branca, um grupo que será decisivo em novembro e que Obama não conseguiu conquistar.

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