Crescem críticas a projeto de Constituição no Equador

Quito, 23 jul (EFE).- Faltando dois dias para terminar a Assembléia Constituinte e um para a avaliação final do projeto de uma nova Carta Magna, aumentam as críticas e suspeitas em torno do texto, enquanto a maior parte dos equatorianos admite não saber o que votar no plebiscito para aprová-lo ou rejeitá-lo.

EFE |

O principal promotor da redação de uma nova Constituição, o presidente equatoriano, Rafael Correa, está insatisfeito com certos detalhes do projeto de Carta Magna, os quais qualifica de "barbaridades".

"Sou contra alguns artigos, colocaram algumas barbaridades que terão que ser retificadas", disse Correa a rádios locais.

O chefe de Estado, no entanto, afirmou que "há milhares de razões" para votar no "sim" na consulta de 28 de setembro.

O Executivo considera que a nova Carta Magna é um dos pilares fundamentais para concretizar a revolução que promove desde a campanha eleitoral que levou Correa ao poder, em 2007.

Vários constituintes da assembléia, inclusive da maioria governista do movimento Acordo País (AP), também reivindicaram por erros ou omissões a minuta do texto constitucional em relação com o analisado nas mesas e o votado no plenário.

As queixas aumentaram as críticas da oposição, que, nas palavras do assembleísta Leonardo Viteri, do Partido Social Cristão (PSC), se sente atropelada e ignorada.

Já o parlamentar do opositor Rede Ética e Democrática, León Roldós, acredita que, do Palácio de Carondelet, sede do Executivo, continuam sendo ajustados os textos do projeto da nova Constituição, que na quinta-feira será submetida à votação.

"Sob a explicação de que é preciso fazer alguns ajustes na redação, o próprio Governo está mudando o texto da Constituição, pareceria que se deu conta de algumas barbaridades que aconteceram", afirmou Roldós, que foi vice-presidente da República e candidato presidencial.

A oposição afirma que a nova Constituição está sendo feita sob medida por Correa, para estender seu mandato e para dar amplos poderes ao presidencialismo, o que é negado pelo Governo, que defende o novo texto constitucional como de ampla e democrática participação.

Enquanto aumentam as suspeitas e denúncias em torno de uma possível manipulação dos textos, alguns setores protestam ao sentir seus pedidos sendo ignorados, como a Confederação de Nacionalidades Indígenas, que deseja incluir o quíchua como segunda língua oficial.

O bloco governista precisa agora superar as divergências internas para assegurar amanhã uniformidade na votação final de todo o texto da nova Constituição, que será submetido a um plebiscito em 28 de setembro. EFE sm/db

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