Por Wael al-Ahmed JENIN (Reuters) - O Hamas e o Fatah desencadearam prisões em mútua represália neste domingo, depois que ataques a bomba em Gaza insuflaram as tensões entre as facções palestinas rivais.

Na Cisjordânia, forças de segurança leais ao presidente palestino Mahmoud Abbas detiveram vinte ativistas do Hamas na cidade de Jenin. Eles ainda prenderam outros quinze em batidas semelhantes em Tulkarm.

Um agente de segurança em Jenin disse que os detidos seriam interrogados sobre esconderijos de armas e atividades de militantes.

As prisões parecem ser uma reação à intimidação na Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas, onde o grupo islâmico deteve mais de 160 homens do Fatah depois que uma de três explosões de bomba matou cinco militantes do Hamas e uma menina na sexta-feira.

O Hamas atribuiu os ataques ao Fatah, que negou envolvimento.

O choque entre os grupos rivais, um dos mais graves desde que o Hamas assumiu o controle de Gaza um ano atrás, quando centenas morreram, atiçou temores de escalada na violência entre as facções.

'Tememos que o demônio esteja atirando irmãos uns contras os outros e que derramem sangue', disse Fatima Ahmed-Salama, de 40 anos e mãe de seis crianças na faixa de Gaza.

Abu Adel, de 65 anos, disse que a luta feriu Gaza mais do que Israel. 'Peço a Deus que os acalme e os faça parar antes que tenhamos mais mortos', acrescentou ele.

Abbas, cuja facção Fatah é mais forte na Cisjordânia, disse no Cairo que ele e o presidente egípcio Hosni Mubarak concordaram em realizar um diálogo entre palestinos.

Uma trégua entre Israel e o Hamas na faixa de Gaza, mediada pelo Egito, teve início no mês passado. Exige-se do Hamas que deixe de lançar foguetes, e de Israel que gradualmente suavize seu embargo ao empobrecido território costeiro.

O cessar-fogo não se aplica à Cisjordânia, onde batidas israelenses contra militantes já levaram a represálias com ataques de foguetes de Gaza contra cidades do sudeste israelense.

Abbas renovou os pedidos por diálogo com seus rivais islâmicos e demonstrou apoio a um comitê independente de figuras palestinas e ativistas dos direitos humanos para investigar a explosão.

Falando no Cairo depois de se reunir com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, Abbas afirmou: 'Aceitaremos qualquer decisão que resulte desse comitê de investigação porque não aceitamos as ações feias que aconteceram em Gaza'.

'O que aconteceu foi muito lamentável e doloroso para nosso povo e não aceitamos isso', disse Abbas a repórteres segundo a agência de notícias estatal egípcia MENA.

'Ao mesmo tempo, não aceitamos acusações e contra-acusações e as insinuações diretas do Hamas para acusar a Fatah...de responsabilidade pelo que aconteceu', completou.

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