Cresce consumo de Viagra entre menores argentinos, diz pesquisa

Um novo estudo realizado na Argentina indica que três de cada dez medicamentos para ereção vendidos no país no ano passado foram consumidos por menores de idade. O estudo foi realizado por especialistas da Escola de Farmácia e Bioquímica da Universidade Maimónides, de Buenos Aires, que se basearam em uma pesquisa do Colégio Oficial de Farmacêuticos e Bioquímicos da capital argentina.

BBC Brasil |

O levantamento recolheu dados de 379 farmácias de Buenos Aires. Os resultados foram publicados nesta terça-feira em reportagem do jornal Clarín.

Pesquisa semelhante realizada dois anos antes, em 2006, indicava que, na ocasião, o consumo entre os jovens era menor, já que dois de cada dez medicamentos eram vendidos a pessoas com menos de 18 anos de idade.

Em 2006, os medicamentos que contêm o mesmo princípio ativo do Viagra ocupavam o 75º lugar entre os remédios mais vendidos do país. Em 2008, eles pularam para a 22ª posição, de acordo com a Universidade Maimónides.

O baixo preço de alguns destes medicamentos - que podem chegar a custar apenas 5 pesos (R$ 3) por comprimido - e a não exigência de receita estaria facilitando o aumento do consumo entre os jovens, segundo os pesquisadores.

"O consumo de Viagra está crescendo entre adolescentes de 15 e 16 anos de idade, de todas as classes sociais", disse a pediatra Mirta Garategaray, do Comitê da Adolescência da Sociedade Argentina de Pediatria, ao Clarín.

"Alguns deles contaram que tomaram quando perderam a virgindade para garantir um bom desempenho", acrescentou. "Se eles só têm cinco pesos no bolso, preferem comprar Viagra em vez de preservativos."
No hospital público Fernández, na capital argentina, adolescentes têm sido atendidos com reações adversas causadas pelo Viagra.

"Tivemos aqui pacientes que contaram que tomaram o Viagra na primeira noite de sexo", contou Carlos Damin, chefe de toxicologia do hospital, ao jornal. "Estamos supresos com a facilidade com que eles conseguem comprar esse remédio."

Ao mesmo tempo, de acordo com um pediatra do hospital infantil Ricardo Gutiérrez, os telefonemas de jovens que querem saber os efeitos adversos do Viagra na saúde são frequentes.

"Uns tomam porque têm medo de falhar na hora H, e outros porque tomaram alguma bebida alcoólica para perder a inibição e optam pelo Viagra para garantir a ereção", afirmou Marta Braschi ao Clarín.

O risco, ressaltam os especialistas, é que estes adolescentes tornem-se "dependentes" do Viagra desde cedo.


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