Costa Rica nega asilo político a primo de Uribe

O governo da Costa Rica negou o pedido de asilo político feito pelo ex-senador colombiano Mario Uribe Escobar, primo e importante aliado do presidente Álvaro Uribe. O ex-senador havia buscado refúgio na embaixada da Costa Rica em Bogotá nesta terça-feira, depois de ter uma ordem de prisão emitida pela Procuradoria Geral da Colômbia.

BBC Brasil |

Uribe Escobar é acusado de envolvimento com grupos paramilitares.

Além de negar o pedido de asilo político, as autoridades da Costa Rica afirmaram que caso o ex-senador não deixasse a embaixada por sua própria vontade, a polícia seria chamada ao local.

Em um comunicado, a Chancelaria da Costa Rica afirmou que devido "aos antecedentes do caso, provenientes, em particular, da Procuradoria Geral da Colômbia; amparado nos princípios e normas do direito de asilo, e com base na informação disponível, considera improcedente a solicitação".

Paramilitares
O primo do presidente é uma das figuras mais importantes da Colômbia envolvidas nas investigações do escândalo que levou à prisão dezenas de políticos acusados de manter relações com grupos paramilitares.

Na semana passada, outros dois importantes aliados de Uribe - a presidente do Senado, Nancy Gutiérrez, e o presidente do Partido de la U, Carlos García - também passaram a ser investigados e um terceiro, o senador Ricardo Elcure, foi detido para interrogatório.

Quando a abertura da investigação contra a presidente do Senado foi anunciada, Uribe pediu à Justiça colombiana que atuasse com "objetividade".

De acordo com a Procuradoria Geral da Colômbia, Mario Uribe Escobar está sendo investigado devido a uma reunião que teve com o ex-líder paramilitar Salvatore Mancuso, antes das eleições de 10 de março de 2002, e com Jairo Castillo Peralta, também conhecido como 'Pitirri', em novembro de 1998.

Mancuso alegou que se reuniu várias vezes com o primo de Uribe, que teria pedido apoio para sua campanha ao Senado em 2002.

Os paramilitares foram criados por proprietários de terras e traficantes de drogas para combater rebeldes de esquerda e qualquer um suspeito de ser simpatizante desses grupos.

Em um acordo de paz com o governo, fechado em 2003, os líderes paramilitares se renderam e desmobilizaram 31 mil integrantes em troca de penas de prisão reduzidas e proteção no caso de extradição.

Os grupos paramilitares, incluindo as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), e os rebeldes de esquerda são considerados organizações terroristas pela União Européia e pelos Estados Unidos.

Parceiros
Mario Uribe Escobar, que nega as acusações, renunciou ao cargo de senador em outubro de 2007 e, desde então, perdeu a imunidade.

Além de primos de segundo grau, Álvaro e Mario Uribe são parceiros políticos há mais de duas décadas no departamento (Estado) de Antioquia, no noroeste da Colômbia, onde o atual presidente foi governador e congressista.

Os dois fundaram o partido Colômbia Democrática, ao qual Mario Uribe Escobar segue pertencendo.

Segundo o correspondente da BBC Mundo em Bogotá, Hernando Salazar, "a ordem de prisão contra Mario Uribe Escobar foi interpretada na Colômbia como um duro golpe para o presidente Uribe, levando em conta a proximidade entre os dois, mesmo sendo primos de segundo grau".

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