Costa do Marfim: Oposição decreta toque de recolher em Abidjan

Autoridades ligadas a Alassane Ouattara, presidente eleito reconhecido internacionalmente, pressionam Laurent Gbagbo a renunciar

iG São Paulo |

A maior cidade da Costa do Marfim, Abidjan, teve toque de recolher decretado, das 21h às 6h desta quinta-feira até domingo, enquanto a oposição aliada a Alassane Ouattara, presidente eleito e reconhecido internacionalmente, pressiona Laurent Gabgbo a deixar o poder.

"Foi instalado um toque de recolher a partir de hoje (quinta-feira) até o domingo, das 21h às 6h. As milícias de Gbagbo saqueiam e aterrorizam a população. Portanto, é preciso colocar as coisas em ordem, acabar com a desordem", completou Anne Ouloto, porta-voz de Ouattara.

AP
Forças leais e Gbagbo na cidade de Abidjan, na Costa do Marfim
Mais cedo, o primeiro-ministro ligadao a Ouattara Guillaume Soro havia dado um prazo para até 19h locais (16h em Brasília) em um ultimato para que Gbagbo renunciasse. "Damos até as 19h para Laurent Gbagbo renunciar. Se renunciar, tudo bem, caso contrário, terá de responder diante da Justiça internacional", completou Soro.

Nesta quinta-feira, as forças das Nações Unidas na Costa do Marfim (Onuci) tomaram o controle do aeroporto de Abidjan, informou um funcionário da ONU que preferiu não ter o nome divulgado. Segundo ele, "o comandante marfinense de uma tropa de 100 soldados, entregou pacificamente o controle do aeroporto".

Forças leais ao líder de oposição Alassane Ouattara chegaram nesta quinta-feira a Abidjan, depois de avançar pelo país e tomar várias cidades nos últimos dias.

Os Estados Unidos voltaram a pedir que Gbagbo deixe a presidência para evitar um aumento da violência na região. "Existe ainda uma oportunidade para Gbagbo deixar o poder de forma a evitar um banho de sangue", disse o subsecretário de Estado Johnnie Carson. "Esperamos que ele aproveite a oportunidade e estimule seus simpatizantes a baixar suas armas."

Ouattara é reconhecido internacionalmente como o vencedor das eleições presidenciais de novembro no país africano, mas não pôde assumir o cargo porque o presidente que tentava a reeleição, Laurent Gbagbo, recusou-se a reconhecer a derrota e continua no poder.O fato gerou uma crise sangrenta que já deixou mais de 500 mortos.

*Com AFP e BBC

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