Costa do Marfim está à beira do genocídio, diz embaixador na ONU

Líderes têm intensificado pressões para que Gbagbo renuncie em favor de Quattara; violência pós-eleição deixou mais de 170 mortos

iG São Paulo | 30/12/2010 15:14 - Atualizada às 17:55

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A turbulência política que se seguiu à eleição presidencial na Costa do Marfim colocou o país do oeste da África "à beira do genocídio", disse o novo embaixador marfinense na Organização das Nações Unidas (ONU).

Líderes mundiais têm intensificado as pressões para que Laurent Gbagbo renuncie em favor de Alassane Quattara, amplamente reconhecido como vencedor da eleição. Youssoufou Bamba, indicado embaixador na ONU pelo rival de Gbagbo, Alassane Quattara, no entanto, descreveu-o como líder legítimo da Costa do Marfim.

"Ele foi eleito em eleições livres, justas, transparentes e democráticas. O resultado foi declarado pela comissão eleitoral independente, certificada pela ONU", disse Bamba durante entrevista coletiva na quarta-feira. "Para mim o debate está encerrado, agora se está falando sobre como e quando o senhor Gbagbo vai deixar o poder", disse Bamba.

Foto: AP

Youssoufou Bamba (E), embaixador na ONU indicado por Alassane Quattara, com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon

Ele disse que houve "uma violação em massa dos direitos humanos", com mais de 170 pessoas mortas durante protestos nas ruas da Costa do Marfim. "Deste modo, uma das mensagens que eu tento transmitir durante as conversações que conduzi até agora, é a de contar que estamos à beira do genocídio. Algo deve ser feito", disse Bamba a jornalistas.

Ele contou também que pretende se reunir com cada um dos membros do Conselho de Segurança. "Pretendo me encontrar com cada um dos 15 membros. Me reunirei com cada um deles para explicar a eles a gravidade da situação... Esperamos que as Nações Unidas tenham credibilidade e que as Nações Unidas impeçam violações e impeçam que a eleição seja roubada da população", disse Bamba.

Também nesta quinta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu seguidores de Gbagbo contra um ataque ao hotel utilizado como quartel-general por Ouatarra.

Ban destacou que a missão de paz da ONU "é autorizada a utilizar todos os meios necessários para proteger o seu pessoal, bem como os funcionários do governo e outros civis nas instalações do hotel", afirmou o porta-voz Martin Nesirky em um comunicado. "Qualquer ataque contra o Golf Hotel pode provocar uma violência generalizada que poderia reacender a guerra civil", alertou Ban.

Na manhã desta quinta-feira, o líder dos "jovens patriotas", partidário de Gbagbo, Charles Blé Goudé, exortou seus seguidores a invadir o hotel no sábado. O hotel de luxo, que se encontra bloqueado pelos partidários de Gbagbo, é protegido por 800 capacetes azuis da missão das Nações Unidas (ONUCI) e por antigos membros das Forças Novas (FN) de Guillaume Soro, agora primeiro-ministro de Ouattara.

Eleições

A eleição de 28 de novembro deveria representar a união da Costa do Marfim, maior produtor mundial de cacau, após uma guerra civil entre 2002 e 2003. Mas disputas sobre o resultado eleitoral provocaram confrontos nas ruas e ameaçam reabrir o conflito.

Na semana passada, a Assembleia Geral da ONU reconheceu Quattara como presidente legítimo da Costa do Marfim ao decidir por unanimidade que a lista de diplomatas entregue por ele à entidade fosse reconhecida como a dos únicos representantes oficiais da Costa do Marfim nas Nações Unidas.

Gbagbo acusou a ONU de se intrometer na política interna depois que a entidade mundial pediu que ele entregasse o poder ao seu rival. A ONU também desafiou o aviso do governo de Gbagbo para que saísse do país depois das polêmicas eleições. Em vez disso, a ONU adicionou seis meses à missão de seus 10 mil soldados no país.

A violência pós-eleitoral fez pelo menos 173 mortos de 16 a 21 de dezembro, segundo a ONU. Mais de 19 mil marfinenses fugiram para a vizinha Libéria para escapar da violência no país.

*Com Reuters

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