Costa da Somália é a mais atingida pela pirataria, diz relatório

A costa da Somália é a mais perigosa do mundo devido à ação de piratas, de acordo com um novo relatório divulgado nesta quinta-feira pela Agência Marítima Internacional (IMB, na sigla em inglês). A agência, que protege os interesses de Marinhas Mercantes, afirma que um terço de todos os ataques contra navios nos primeiros nove meses de 2008 foi registrado na região.

BBC Brasil |

Segundo a IMB, 199 incidentes ocorreram nos primeiros nove meses do ano. O Golfo de Áden e a costa leste da Somália estão em primeiro lugar no ranking de ataques de piratas, com 63 incidentes relatados.

Ao todo, 26 cargueiros foram seqüestrados por piratas somalis, 537 tripulantes foram feitos reféns. Tiros foram disparados contra outros 21 cargueiros por piratas somalis no mesmo período.

No dia 30 de setembro, 12 navios ainda estavam seqüestrados por piratas e mais de 250 tripulantes ainda eram mantidos reféns, incluindo um navio ucraniano, o Faina, que leva uma carga com tanques e outras armas. Os piratas exigem um resgate de US$ 20 milhões pela embarcação ucraniana.

"Os ataques piratas na costa da Somália não têm precedentes", afirma o diretor do IMB, capitão Pottengal Mukundan. "Está claro que os piratas no Golfo de Áden acreditam que podem operar impunemente, atacando navios."
Aumento dramático
De acordo com o relatório, um aumento dramático do número de incidentes relatados ocorreu no mundo todo no terceiro trimestre (83 incidentes), comparado com o primeiro (53) e o segundo trimestres (63).

Nos primeiros nove meses de 2008, 115 navios foram abordados no mundo todo, 31 seqüestrados e outros 23 foram alvo de disparos de tiros. Ao todo, 581 tripulantes foram feitos reféns, nove seqüestrados, nove mortos e sete estão desaparecidos, provavelmente também mortos.

O IMB afirma que, comparado com o mesmo período de 2007, o número total de ataques relatados aumentou. Os tipos de ataques, a violência associada aos eventos, o número de reféns e a quantidade paga em resgates para a liberação dos navios também aumentaram.

"O custo para os proprietários dos navios que são seqüestrados é significativo", diz Mukundan. "É preciso uma ação severa contra os navios principais dos piratas antes que eles consigam seqüestrar os navios."
Somália
A mudança dos ataques de piratas da costa leste da Somália para o Golfo de Áden, como foi inicialmente indicado no relatório do IMB do segundo trimestre de 2008, começou a ameaçar a navegação e a passagem de bens comerciais na importante rota de comércio entre a Ásia e a Europa.

Dos 63 incidentes relatados nesta área, 51 ocorreram no Golfo de Áden e apenas 12 na costa leste da Somália.

"Os locais e descrições destes navios principais (dos piratas) são conhecidos", afirmou o diretor do IMB. "Pedimos a todos os governos que direcionem suas Marinhas para interromper as atividades dos piratas e seus navios. Isso é vital para proteger este importante caminho marítimo."
Segundo o correspondente da BBC em Nairóbi, no Quênia, Peter Greste, a pirataria na Somália é um negócio grande e bem organizado e os piratas atacam usando uma rede sofisticada de informações secretas, sempre atacando navios com cargas valiosas de empresas ricas o bastante para pagar grandes resgates.

Greste diz que os piratas também contam com a impunidade, geralmente comprando o apoio das populações locais com verbas para escolas e serviços médicos.

A Somália está sem um governo operante há 17 anos e sofre contínuos distúrbios. Clãs rivais e grupos armados lutam pelo poder.

Nesta quinta-feira, nove somalis, suspeitos de atuar como piratas, foram capturados pela Marinha da França e entregues a autoridades regionais no norte da Somália.

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