Costa Concordia desliza 7 milímetros; buscas são retomadas

Apesar de retomada de trabalhos por 21 desaparecidos, Guarda Costeira diz que esperança de encontrar sobreviventes é mínima

iG São Paulo |

O cruzeiro Costa Concordia, que naufragou em 13 de janeiro na costa da ilha italiana de Giglio, deslizava na sexta-feira a um ritmo constante de sete milímetros por hora, o que permitiu os trabalhos de resgate apenas na superfície para não pôr em risco as vidas dos mergulhadores.

AP
Equipes de resgate trabalham no navio Costa Concordia tombado na ilha de Giglio, Toscana (19/01)
O dado foi divulgado pelo analista Nicola Costagli, professor de Ciências da Terra na Universidade de Florença e encarregado de acompanhar a evolução do navio. De acordo com ele, a proa se movimenta em maior velocidade que a popa, em até 15 milímetros por hora.

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Neste sábado, com a estabilização da embarcação, os especialistas da Marinha conseguiram por meio do uso de cargas explosivas abrir novas vias de acesso ao interior da cabine 5. As aberturas feitas na estrutura ajudarão o trabalho dos mergulhadores que inspecionam uma área determinada da embarcação, onde, segundo testemunhos de sobreviventes, havia vários passageiros no momento da retirada, informa a imprensa italiana.

A ação retoma as buscas por 21 desaparecidos, interrompidas durante a maior parte da sexta-feira por causa do movimento do navio, mas a esperança de localizar sobreviventes é mínima, segundo a Guarda Costeira. "A esperança de encontrar alguém com vida na parte submersa se reduziu", lamentou Cosimo Nicastro, porta-voz da organização, apesar de assinalar que os mergulhadores continuarão insistindo na tarefa.

Nas últimas horas, foram divulgados detalhes sobre a colisão e a atuação do comandante do Costa Concordia, Francesco Schettino , que se encontra sob prisão domiciliar , acusado de homicídio culposo, abandono de navio e naufrágio.

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Seu advogado, Bruno Leporatti, disse que Schettino avisou sobre o acidente à companhia Costa Cruzeiros, proprietária da embarcação, imediatamente após o impacto contra as rochas. Fontes da defesa afirmaram que foram várias as conversas mantidas por Schettino com a companhia nos instantes posteriores à colisão, que deixou 11 mortos.

No entanto, em declarações à emissora pública italiana RAI, o presidente da Costa Cruzeiros, Pierluigi Foschi, afirmou que o capitão não lhes disse a verdade sobre o que ocorria e sobre a gravidade da situação.

Para este sábado, está prevista uma ressaca, que pode ameaçar a estabilidade do navio, já que as correntes e as ondas poderiam empurrar o casco em direção a um abismo de 90 metros de profundidade .

Isso dificultaria as tarefas de extração das quase 2,4 mil toneladas de combustível transportadas pelo navio, que causariam uma nova catástrofe em caso de vazamento , dessa vez de caráter ambiental, pois a Ilha de Giglio faz parte de um parque natural marinho considerado um dos mais importantes ecossistemas do Mediterrâneo.

*Com EFE e AFP

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