Costa Concordia comunicou apenas blecaute no início do naufrágio

TV divulga telefonema entre tripulante e autoridade portuária que teria sido feito meia hora após navio ter colidido com rochas

iG São Paulo |

A imprensa italiana transmitiu nesta quinta-feira o que diz ter sido a primeira conversa telefônica entre as autoridades do porto e a tripulação do Costa Concordia, enquanto o navio começava a afundar na sexta-feira .

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AP
Equipes de resgate trabalham no navio Costa Concordia tombado na ilha de Giglio, Toscana

Na conversa, que teria acontecido às 22h12 no horário local, cerca de 30 minutos depois de o navio colidir com as rochas, um membro da tripulação diz que a embarcação sofrera somente um blecaute . O navio naufragou com mais de 4,2 mil passageiros e tripulantes a bordo, e, até o momento, 11 corpos foram encontrados.

De acordo com a emissora Sky, nesse intervalo - entre a batida e o naufrágio -, muitos passageiros telefonaram de celular para parentes pedindo que avisassem a polícia, que, por sua vez, disse à Guarda Costeira que verificasse a situação do navio. "Boa noite, Costa Concordia, por favor, você tem problemas a bordo?", pergunta o funcionário da guarda ao seu contato.

Um membro não identificado da tripulação responde: "Tivemos um blecaute, estamos verificando as condições a bordo." O guarda pergunta: "Que tipo de problema? É apenas algo com o gerador? A polícia... recebeu um telefonema de parentes de um marinheiro que disse que durante o jantar tudo estava caindo sobre a sua cabeça. Ele diz que alguns passageiros já estão usando coletes salva-vidas."

O tripulante apenas repete que houve um blecaute. "Estamos verificando as condições a bordo", diz ele, prometendo manter a Guarda Costeira informada.

As buscas pelos mais de 20 desaparecidos , que estavam suspensas desde quarta-feira, podem ser ameaçadas por uma piora nas condições meteorológicas. O navio está tombado próximo à ilha de Giglio, na Toscana, mas há temores que ele possa "escorregar" em uma profunda depressão .

O comandante do transatlântico, Francesco Schettino , cumpre prisão domiciliar e é acusado de homicídio múltiplo, naufrágio e abandono de navio. Os responsáveis pela Costa Crociere afirmaram que ele realizou uma manobra não autorizada para passar muito perto da ilha de Giglio. Promotores acrescentam que ele abandonou o navio enquanto tripulantes e passageiros tentavam se salvar, apesar de ter sido ordenado inúmeras vezes para voltar à embarcação.

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Segundo Schettino, ele foi lançado ao mar e depois não conseguiu retornar, porque a embarcação estava tombada em um ângulo de 90º. A imprensa italiana afirma que ele admitiu ter cometido um erro durante a navegação.

Ele afirmou aos investigadores ter ordenado "tarde demais" que o navio voltasse. Ele também disse que sua intenção ao passar perto da ilha era homenagear um ex-comandante e um colega da tripulação.

Nesta quinta-feira, a Costa Crociere suspendeu o capitão Schettino no que considera um primeiro passo para sua demissão após o naufrágio, indormou o advogado da empresa, Marco de Luca.

De Luca explicou que a proprietária do cruzeiro Costa Concordia acabou se tornando "parte afetada" na investigação aberta pela promotoria de Grosseto. O advogado alega que a empresa "sofreu um dano patrimonial enorme", além do "drama humano e tragédia" causados pelo naufrágio.

Em sua opinião, ainda é prematuro constatar se a Costa Crociere, que insiste que o acidente ocorreu por "falha humana" quando o navio se aproximava excessivamente da ilha de Giglio, se constituirá como parte civil em um eventual processo judicial. A Costa não oferecerá assistência legal ao capitão da embarcação.

A empresa também informou nesta quinta-feira que está entrando em contato com os passageiros e as associações de consumidores para devolver-lhes o dinheiro da compra do pacote e as demais despesas materiais decorrentes do naufrágio.

Uma outra polêmica voltou nesta quinta a envolver Schettino, depois que a promotoria procurava uma jovem loira de 25 anos, de nacionalidade moldávia. Ela foi vista por passageiros sentada na sala ao lado da cabine de comando do cruzeiro, jantando com o capitão na noite do naufrágio.

Trata-se de Dominika Cemortan, que não estava na lista de passageiros. Ela apareceu há poucos dias em um canal de televisão da Moldávia para explicar que também era tripulante de navio e, que por isso, tinha o direito de estar com outros oficiais na cabine de comando e não estar registrada, apesar de não estar prestando serviço no momento.

A jovem defendeu a operação de Schettino . "Acho que ele fez um trabalho extraordinário, toda a tripulação é solidária com ele e acredita que salvou mais de 3 mil pessoas", comentou Domnica à reportagem do jornal.

Com EFE e Reuters

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