Bogotá, 25 abr (EFE).- O Governo colombiano anunciou hoje que entregará à Corte Suprema de Justiça (CSJ) os documentos encontrados nos computadores de um dos membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Raúl Reyes, para que o órgão averigúe as supostas relações de políticos com a guerrilha.

O ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, confirmou hoje que serão entregues à CSJ os documentos do computador de "Reyes", depois que o presidente da Sala Penal do alto tribunal, Sigifredo Espinosa, solicitou esse material, com o propósito de investigar seu conteúdo.

Em uma breve comunicação divulgada na quinta-feira à noite, Espinosa solicitou à Presidência o envio das informações relativas à investigação.

É uma "coisa que, certamente, faremos", disse o ministro Santos à imprensa em Bucaramanga, cidade do nordeste para a qual viajou com o objetivo de ativar a Polícia metropolitana.

A informação solicitada pela CSJ corresponde a arquivos dos três computadores e duas memórias que as autoridades de Bogotá confiscaram após a operação militar colombiana realizada no dia 1º de março contra um acampamento das Farc em território equatoriano, na qual morreram 26 pessoas entre elas "Raúl Reyes", o porta-voz internacional da guerrilha.

Esses arquivos são constituídos por cerca de 16 mil documentos, conforme informações do titular da Defesa, que lembrou que os equipamentos estão sob o controle da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), para serem avaliados, conforme solicitado pela Colômbia, que os receberá em meados de maio.

"São provas muito importantes, com uma informação muito importante", afirmou Santos que, na quarta-feira à noite, em uma sessão fechada do Senado, antecipou que congressistas e outras personalidades políticas poderiam ter envolvimento com os rebeldes.

Com a alegação de que os documentos são reservados e estão sob "cadeia de custódia" na Procuradoria Geral, o titular da Defesa esquivou-se em declarações públicas de identificar pessoas supostamente relacionadas com as Farc.

Apesar disso, vários meios de imprensa divulgaram desde então mensagens que fazem menção à congressista liberal Piedad Córdoba, ao jornalista Carlos Lozano, diretor do semanário comunista "Voz", e ao vereador de Bogotá Carlos Caycedo.

"Não vou me exilar, mostro minha cara ao país", disse hoje Córdoba, que até novembro do ano passado atuava como facilitadora de um acordo humanitário com as Farc sobre seqüestrados, tarefa na qual a acompanhava, como mediador, o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Ambos atuavam desde agosto passado, mas foram desautorizados pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe.

Segundo a senadora, a suposta conexão de políticos com as Farc é uma "cortina de fumaça" do Executivo para cobrir o escândalo da "parapolítica", que possuía nexos com a agora dissolvida organização paramilitar Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC).

A investigação correspondente foi assumida pela CSJ, que vinculou com ela 64 congressistas, a maioria de formações da coalizão que apóia Uribe e 32 dos quais estão detidos.

"Não tenho nada a ver com atos ou eventos promovidos pelas Farc", sustentou o jornalista Lozano, mencionado em um dos e-mails por uma suposta viagem internacional organizada pelos rebeldes.

O vereador Caycedo, que foi citado no mesmo sentido, negou que tenha estado em encontros no exterior promovidos supostamente pelas Farc. EFE jgh/fb

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