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LA PAZ (Reuters) - O fornecimento de gás natural boliviano à Argentina continuava suspenso nesta sexta-feira pela ocupação de uma estação na fronteira, ao mesmo tempo em que a estatal YPFB deixou seu escritório em Santa Cruz de la Sierra por causa de ameaças ligadas aos protestos contra o governo do presidente Evo Morales. Uma fonte da YPFB, que pediu para não ser identificada, disse que a suspensão era mantida desde o meio-dia de quinta-feira, quando os manifestantes tomaram o gasoduto binacional em Yacuiba, na região de Tarija.

O corte afeta um volume de pelo menos 1 milhão de metros cúbicos diários, cerca de metade do que a Bolívia costuma exportar à Argentina.

'Agora o escritório principal administrativo em Santa Cruz (ao norte de Tarija) foi esvaziado. Os 150 funcionários foram retirados por medidas de segurança devido a ameaças', disse a fonte pelo telefone.

Santa Cruz, bastião dos opositores, foi testemunha nos últimos dias de protestos violentos contra os planos do governo de aprovar uma Constituição de cunho socialista e indigenista.

A exportação de gás boliviano ao Brasil e à Argentina sustenta a economia do país.

Grupos opositores e favoráveis ao governo de Morales protagonizaram violentos choques em diversas cidades bolivianas, com pelo menos oito mortos na quinta-feira.

Outro incidente causou a suspensão por mais de sete horas de quase metade do fornecimento de gás natural ao Brasil, cerca de 31 milhões de metros cúbicos diários.

(Reportagem de Marco Aquino)