Corte exige revisar acusação a soldado que atirou em palestino algemado

Jerusalém, 1 jul (EFE).- O Tribunal Superior de Justiça de Israel ordenou hoje ao Exército revisar as acusações contra o soldado que atirou em um palestino na Cisjordânia que tinha sido algemado e estava com os olhos vendados, informou hoje a imprensa israelense.

EFE |

A corte sentenciou a favor da vítima e de quatro organizações de defesa dos direitos humanos, e pediu ao advogado geral militar que revise a acusação aos soldados, que foram formalmente acusados há um ano perante um tribunal militar por "comportamento inadequado".

O incidente, ocorrido em 7 de julho de 2008 na aldeia cisjordaniana de Ni'lin, foi gravado pela ONG israelense B'Tselem, em um vídeo que mostra claramente um soldado atirando com um fuzil a uma distância aproximada de 1,5 metro contra as pernas de Ashraf Abu Rahma, palestino de 27 anos que participava de um protesto contra a ocupação.

No momento do disparo, o detido, que ficou ferido no pé, estava com as mãos algemadas nas costas, os olhos cobertos por um lenço, era segurado pelo braço por um militar e não realizava nenhum movimento agressivo contra os soldados.

O Tribunal Superior de Justiça entende em sua sentença de hoje que "a distância moral entre a natureza dos atos descritos na ata de acusação e a forma da avaliação da mesma com a ofensa de 'conduta inadequada' é tão profunda que não pode ser mantida".

"A gravidade do incidente, de um ponto de vista moral e normativo, é exagerada e excepcional", acrescenta.

A utilização desse tipo de prática "em relação a um detido atado, algemado e com os olhos vendados indica uma grande desvio das normas éticas que todos os soldados do Exército, e especialmente os oficiais, são obrigados a manter".

O soldado israelense que fez o disparo se reincorporou a sua unidade após dois dias de detenção e declarou aos investigadores do Exército que seu superior, o tenente-coronel Omri, ordenou três vezes que disparasse contra o detido.

O tenente-coronel, no entanto, disse então que só lhe pediu que agitasse sua arma, para assustar o detido. EFE aca/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG