Corte dos EUA bloqueia libertação de 17 chineses muçulmanes de Guantánamo

Uma corte de apelações dos Estados Unidos bloqueou temporariamente a libertação ordenada na terça-feira de 17 chineses muçulmanos da etnia uigur presos em Guantánamo.

AFP |

Os detentos iam ser trasladados para Washington nesta sexta-feira, mas um painel de três juízes da Corte de Apelações do Distrito de Colúmbia interrompeu o processo até nova ordem para avaliação do processo.

A justiça federal americano ordenou na terça-feira que os 17 chineses muçulmanos fossem libertados em solo americano.

O governo americano eliminou em setembro as acusações de "combatentes inimigos", que justificavam até então sua prisão em Guantánamo.

Fugidos da China, os 17 estavam em campos do Afeganistão quando a coalizão interveio militarmente no país por causa dos atentados de 11 de setembro.

Foi a primeira vez que uma corte ordenou que combatentes da "guerra contra o terrorismo" detidos em Guantánamo fossam libertados em território americano.

A secretaria de Justiça anunciou em seguida a intenção de apelar da decisão: "Em resposta à decisão de hoje, vamos interpor um recurso urgente" junto à Corte de Apelações de Washington.

Os 17 chineses pedem sua libertação temporária no território americano até que um terceiro país aceite recebê-los, revelam cópias dos documentos judiciais, obtidas pela AFP.

O governo propõe manter o grupo em "casas especiais" no centro de detenção de Guantánamo, "até que possam ser instalados em um país estrangeiro".

Até o momento, "pelo menos seis homens seguem em regime de isolamento", passando cerca de 22 horas em uma cela sem luz natural.

Pequim pediu a Washington que envie o grupo de volta à China, alegando que os prisioneiros são membros de um movimento islâmico "catalogado como organização terrorista pelo Conselho de Segurança da ONU".

Os uigures são uma minoria étnica muçulmana perseguida na China.

A Associação de Defesa das Liberdades Civis (ACLU) disse que a "situação dos uigures serve para lembrar o pantanoso nível judicial e moral que é Guantánamo".

ksb/rpl/cn

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