Corte do gás russo se espalha pela Europa

Por Christian Lowe MOSCOU (Reuters) - A Rússia reduziu drasticamente na terça-feira o envio de gás à Europa através da Ucrânia, complicando ainda mais a disputa com Kiev pelo preço do produto, o que ameaça o abastecimento até na Alemanha e na Itália.

Reuters |

A Gazprom, que detém o monopólio do gás russo, disse ter fornecido cerca de 65 milhões de metros cúbicos (mmc) à Europa na terça-feira através da Ucrânia, uma redução de 78 por cento em relação aos 300 mmc que eram bombeados. A disputa começou em 1o de janeiro.

A União Européia, que depende da Rússia para um quarto do seu gás, pediu a Moscou e Kiev que encontrem uma solução nesta semana, e o ministro alemão da Economia, Michael Glos, afirmou que seria importantíssimo que ambas as partes comecem a negociar.

O presidente da estatal ucraniana de energia disse que irá na quinta-feira a Moscou. A Gazprom se disse disposta a conversar a qualquer momento, mas não espera que a Ucrânia volte à mesa de negociações tão logo.

A GDF Suez disse que o fornecimento do gás russo à França caiu 70 por cento, embora o país seja menos vulnerável que a Alemanha e a Itália, uma vez que 80 por cento da energia francesa advêm de usinas nucleares.

Hungria, Bulgária, Turquia, Macedônia, Grécia e Croácia disseram que os fluxos russos de gás via Ucrânia haviam sido suspensos, criando o que a Bulgária qualificou como "situação de crise" em pleno inverno.

Áustria e Romênia disseram que o fornecimento caiu 90 e 75 por cento, respectivamente. Firmas alemãs de energia alertaram que pode haver escassez de gás no país, maior economia da Europa, caso a disputa e as temperaturas abaixo de zero persistam.

"Mesmo as nossas possibilidades atingirão seus limites se esses cortes drásticos nos fornecimentos durarem e se as temperaturas continuarem em níveis muito baixos", disse Bernhard Reutersberg, presidente-executivo E.ON Ruhrgas.

A preocupação com o abastecimento de gás para a Europa, junto com as operações militares de Israel em Gaza, elevaram o preço do barril de petróleo a quase 50 dólares, maior valor em três semanas.

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