Corte de imposto na China eleva bolsas em quase 10%

O mercado de ações na China registrou forte alta nesta quinta-feira, após o anúncio de cortes no imposto sobre investimentos no setor financeiro. As duas principais bolsas do país apresentaram ganhos expressivos, de quase 10%.

BBC Brasil |

O índice SSE Composite, de Xangai, encerrou o pregão em alta de 9,29%, enquanto o SSE Component Index, da bolsa de Shenzhen, fechou 9,59% no positivo.

Hong Kong também apresentou elevação significativa no índice que cota ações de empresas chinesas, as chamadas H-shares, concluindo o dia em com ganhos de 4,18%.

As ações de companhias locais de Hong Kong também foram afetadas positivamente, mas o impacto de maneira geral foi menos expressivo. O índice Hang Seng fechou em alta de 1,55%.

Corte de imposto
Na noite da quarta-feira, o Ministério de Finanças e Administração Estatal de Impostos da China cortou de 0,3% para 0,1% a taxa sobre operações financeiras.

A medida teve por objetivo estimular o retorno dos investidores ao mercado de capitais, já que parte vinha demonstrando hesitação desde o começo da crise de crédito imobiliário nos Estados Unidos, em agosto do ano passado.

A tendência negativa internacional, conhecida no mercado financeiro pelo jargão "abraço de urso" (em tradução livre), chegou à China em novembro, após altas recordes obtidas em outubro.

Somente em Xangai, a onda puxou o volume negociado no índice Composite para baixo dos 3.000 pontos, uma queda de mais de 50% em relação ao recorde de 6.124 pontos observado no ano passado.

Analistas da região apontaram que no caso específico da China a retração observada desde outubro foi também uma correção, pois nos últimos dois anos o índice Composite de Xangai chegou a quadruplicar em valor, levantando temores de que as bolsas enfrentavam uma bolha.

Há onze meses, a China temia um superaquecimento do seu mercado de capitais e triplicou a taxa sobre operações como forma de frear a entrada de investimentos.

Agora o país faz o caminho inverso.

Interesse em estimular
Na terça-feira, o primeiro ministro Wen Jiabao declarou à imprensa estatal que a China tem interesse em estimular o mercado de capitais.

O corte no tributo vem após o anúncio, no fim de semana, de nova regulamentação no mercado financeiro.

O governo impôs uma restrição às negociações de volumes de ações que correspondam a mais de1% de uma companhia.

Essas vendas só poderão ser feitas fora da bolsa, através de um sistema de blocos.

Além disso, não será mais possível negociar papeis de empresas às vésperas do anúncio dos resultados de desempenho, para evitar especulações de curto prazo.

Entretanto, as regras que buscavam dar maior segurança e estabilidade aos mercados acabaram tendo um efeito oposto ao esperado e imediatamente afastaram investidores.

O Composite de Xangai caiu mais de 4% na terça-feira, fechando com menos de 3.000 pontos, o nível mais baixo dos últimos 13 meses.

Na quarta-feira, o índice recuperou, encerrando o dia com 4,15% num prenúncio do bom resultado obtido nesta quinta-feira.

Apesar da alta expressiva de mais de 9%, analistas sugerem que talvez o efeito positivo do corte do tributo seja breve, pois o mercado de capitais poderá voltar a se contrair devido a um horizonte de recessão nos Estados Unidos.

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