Corte da Colômbia decide sobre referendo do terceiro mandato

A Corte Constitucional da Colômbia começou nesta sexta-feira as deliberações finais para determinar se o presidente colombiano, o conservador Álvaro Uribe, poderá concorrer a um terceiro mandato consecutivo nas eleições presidencias de 30 de maio ou se terá de deixar o cargo após oito anos na presidência.

iG São Paulo |

No ano passado, o Congresso colombiano aprovou um referendo para perguntar aos colombianos se aceitariam uma emenda de lei para permitir ao presidente se candidatar a uma segunda reeleição.

AP
Em foto de quinta-feira, Uribe cumprimenta diretor de inteligência Leon Panetta

Na quinta-feira, Uribe encontrou-se com
diretor de inteligência dos EUA, Leon Panetta

Agora cabe aos nove juízes da Corte avaliar se a decisão do Congresso é constitucional. Espera-se que o resultado seja divulgado entre esta sexta-feira e o sábado.

Em 2005, Uribe, no poder desde 2002, conseguiu uma emenda constitucional que lhe permitiu concorrer para um segundo mandato em 2006.

Apesar de o líder colombiano ainda não ter declarado publicamente se gostaria de participar da votação de maio, analistas apostam que sim. Ele tem até 12 de março para anunciar sua candidatura.

Calendário apertado

Mesmo que a Corte Constitucional aprove um referendo como fez em 2005, seria difícil para as autoridades eleitorais organizar uma consulta popular antes de o prazo para as declarações de candidatura expirarem em março.

Segundo analistas latino-americanos, independentemente do resultado, qualquer candidato escolhido entre seus aliados para suceder Uribe deverá manter sua política de Segurança Democrática, a base de sua popularidade.

Uribe tem aprovação em torno de 70% graças às vitórias militares contra a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"Essas políticas têm de ser reeleitas independentemente da decisão da corte", disse Uribe na quinta-feira. "Não podemos mudar de direção, não podemos baixar a guarda", afirmou.

Ameaça à democracia

Os críticos do referendo dizem que a permissão a um terceiro mandato é uma ameaça à democracia colombiana.

O segundo mandato de Uribe foi manchado por escândalos de abusos dos direitos humanos por militares e grampos ilegais de seus opositores pela agência de inteligência do Estado.

Na quarta-feira, a polícia voltou a prender um primo e aliado próximo do presidente, o ex-senador Mario Uribe Escobar , como parte de uma investigação em andamento sobre supostos vínculos entre políticos e grupos paramilitares de direita.

Mais de 60 políticos ainda estão na prisão em relação ao caso conhecido como escândalo da "parapolítica".

*Com informações da BBC e Reuters

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