Corte Constitucional de Madagascar legaliza mudança de poder

A Alta Corte Constitucional (HCC, em francês) de Madagascar legalizou a designação à presidência interina do líder opositor Andry Rajoelina nesta quarta-feira, após a renúncia forçada de seu antecessor Marc Ravalomanana na véspera e a concessão, por parte do Exército, de plenos poderes ao novo chefe de Estado.

AFP |

AP

Rajoelina (esquerda) participa de comício em Antananarivo

"A HCC declara que Andry Rajoelina exerce as atribuições de presidente da República enunciadas pelas disposições da Constituição", depois de ter "validado" a ordem de transferência de plenos poderes a Rajoelina pelo diretório militar, em um documento do qual a AFP obteve uma cópia.

A HCC também validou a ordem anterior na qual o presidente Marc Ravalomanana, derrubado pelo Exército e ameaçado de prisão, renunciou na terça-feira transferindo plenos poderes para um diretório militar.

O Exército malgaxe recusou categoricamente esse diretório e transmitiu algumas horas depois "plenos poderes" ao chefe da oposição.

Os moradores de Antananarivo ficaram divididos entre a esperança de uma renovação entre os partidários do novo presidente, e uma profunda amargura para os militantes do ex-chefe de Estado - de quem não havia notícias nesta quarta-feira - que denunciavam um "golpe de Estado".

Ao ser confirmado presidente em exercício "por um período máximo de 24 meses" pela HCC, Rajoelina prometeu fazer da luta contra a pobreza sua prioridade diante de 15 mil pessoas reunidas na Praça 13 de Maio, principal cenário de sua disputa de três meses com Marc Ravalomanana.

"Não vou vender arroz e óleo", disse à multidão Rajoelina, referindo-se ao seu antecessor, proprietário de um império agro-alimentar em Madagascar: "baixarei os preços. Vou conversar com os operadores econômicos para poder baixar os preços do arroz", alimento de base em um dos países mais pobres do planeta.

"Para o bem do povo de Madagascar, vou revender o Force One", avião presidencial recentemente comprado por Ravalomanana, prometeu, acrescentando que com o dinheiro da venda vai construir "um hospital para a saúde do povo, que é prioritária".

O novo presidente também afirmou que quer falar com o líder líbio Muammar Kadhadi, presidente em exercício da União Africana (UA), "sobre o futuro de Madagascar", onde a UA deverá realizar sua próxima reunião. "Será uma honra para Madagascar receber a reunião", assegurou Rajoelina.


Leia também:


Leia mais sobre Madagascar

    Leia tudo sobre: madagascar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG