Corte autoriza Reino Unido a extraditar extremistas para os EUA

Abu Hamza al-Masri é acusado de terrorismo contra alvos americanos; outros quatro podem ser condenados à prisão perpétua

iG São Paulo |

A Corte Europeia de Direitos Humanos autorizou o Reino Unido a extraditar para os Estados Unidos um clérigo radical muçulmano e outros quatro suspeitos que podem ser condenados por terrorismo.

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A decisão desta terça-feira é centrada em Musafa Kamal Mustafa, também conhecido como Abu Hamza al-Masri, um dos principais extremistas britânicos, acusado de planejar uma série de ataques contra alvos americanos 14 anos atrás. De acordo com o jornal americano The New York Times, antes dos ataques de 11 de Setembro, o extremista se descrevia como um representante da Al-Qaeda no Reino Unido.

Reuters
Foto de 1999 mostra Abu Hamza al-Masri em conferência em Londres
Segundo a corte, o Reino Unido não violará quaisquer direitos fundamentais previstos na legislação da União Europeia ao extraditar os suspeitos, que podem pegar prisão perpétua em um presídio de segurança máxima.

Al-Masri e os outros suspeitos alegaram anteriormente que nos EUA eles poderiam estar sujeitos a “tortura ou tratamento degradante e inumano ou punição”, segundo o código europeu.

A Corte Europeia de Direitos Humanos em Estrasburgo, na França, rejeitou as alegações, dizendo nesta terça-feira que “as condições de detenção e a duração das penas dos cinco supostos terroristas poderiam não chegar a maus tratos quando forem extraditados aos EUA”. O tribunal ressaltou, no entanto, que os cinco não devem ser extraditados até que o final do julgamento – o que pode levar meses.

A decisão da corte deixa de fora um sexto suspeito, Haroon Rashid Aswat, enquanto aguarda por mais informações sobre seu laudo de esquizofrenia e as condições em que está detido em um hospital britânico.

Indiciados

Os seis suspeitos foram formalmente acusados nos EUA entre 1999 e 2006 de terem feito reféns no Iêmen e terem atacado embaixadas americanas no leste da África. Masri enfrenta 11 acusações relativas a reféns em 1998, tentativa de incitar conflitos no Afeganistão em 2001 e pela participação na instalação de um campo de treinamento de militantes extremistas em Oregon, entre junho de 2000 e dezembro de 2001.

Segundo promotores americanos, o extremista fez reféns 16 turistas, sendo dois americanos. Quatro reféns – três britânicos e um australiano – foram mortos e outros ficaram gravemente feridos quando o Exército do Iêmen deu início à operação para tentar resgatá-los.

O Reino Unido considera Masri um cidadão egípcio, mas ele alega ter perdido sua nacionalidade egípca. Atualmente, ele cumpre sentença de sete anos no Reino Unido por incitar ódio racial e apologia ao homicídio.

O extremista é uma figura distinta, segundo o New York Times, com apenas um olho e um gancho de aço no lugar de sua mão direita, resultado de ferimentos no braço e rosto adquiridos, segundo ele, quando uma mina explodiu quando lutava contra a ocupação soviética no Afeganistão. A Corte Europeia espera que as autoridades americanas considerem a detenção de Masri em uma prisão de segurança máxima “impossível” por causa de seus problemas físicos.

Autoridades

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, se disse satisfeito com a notícia. “É bom que tenhamos processos legais adequados, ainda que às vezes alguma parte possa se sentir frustrada com o longo tempo que toma”, disse.

Os EUA também saudaram a decisão da corte, segundo comunicado postado no site da Embaixada dos EUA em Londres. “Esperamos que a decisão da corte seja definitiva e para a extradição desses acusados para serem julgados nos EUA”, disse o comunicado do Departamento de Justiça.

A secretária do Interior britânica Theresa May disse que o Reino Unido trabalhará para que os suspeitos estejam em mãos das autoridades americanas o mais rápido possível.

*Com AP

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