Bagdá, 29 abr (EFE).- No quarto processo contra antigos membros do Governo de Saddam Hussein desde a queda do regime, o tribunal que julga o ex-vice-primeiro-ministro iraquiano Tareq Aziz e outros sete ex-dirigentes de alto escalão de Bagdá pela execução de 42 comerciantes em 1992 decidiu adiar até o próximo 20 o julgamento iniciado hoje.

O início do julgamento foi cercado de uma grande expectativa, embora no final tenha sido adiado pela ausência de alguns dos acusados, segundo explicou o presidente do Alto Tribunal Criminal, o curdo Rauf Rashid Abdel-Rahman.

Observadores iraquianos atribuem o adiamento à piora do estado de saúde de um dos principais acusados, Ali Hassan al-Majid, mais conhecido como "Ali Químico", ex-ministro da Defesa e que já possui uma condenação à morte pelo genocídio de 180 mil curdos.

O julgamento começou às 17h locais (11h de Brasília), depois de ter sido suspenso no período da manhã por algumas horas porque os acusados ainda não tinham chegado ao tribunal.

Os acusados permaneceram sob custódia dos EUA em uma base perto do aeroporto de Bagdá desde que foram detidos.

Os analistas também apontam que a deterioração das condições de segurança na capital iraquiana poderia ter contribuído para dificultar o deslocamento dos presos ao tribunal.

Aziz e os outros acusados, entre eles dois meio-irmãos de Saddam, Watban Ibrahim al-Hassan e Sabawi Ibrahim al-Hassan, enfrentam a acusação de ter ordenado em 1992 a execução de 42 empresários iraquianos que teriam decidido aumentar os preços, após a crise gerada pela Guerra do Golfo.

Os empresários, que comercializavam bens de primeira necessidade, foram julgados em processo sumaríssimo por um tribunal de segurança nacional, e não tiveram o direito de apelar da sentença de morte.

Os outros acusados no caso são o ex-ministro das Finanças Ahmed Hussein, Mazban Hadi, ex-membro do Conselho do Comando da Revolução, e o ex-governador do banco central iraquiano Esam Huweish.

Durante o julgamento e a execução dos 42 comerciantes, Aziz ocupava o cargo de ministro de Assuntos Exteriores.

Aziz, de 72 anos, foi o responsável da política externa do regime de Saddam Hussein, líder que foi executado em dezembro de 2006 após ter sido considerado culpado de crimes contra a humanidade pelo mesmo juiz que hoje julga as autoridades do regime do ex-presidente iraquiano.

Graças a seus conhecimentos de inglês, Aziz se transformou no porta-voz do regime de Saddam no cenário internacional, onde tratou de limpar a imagem de seu país.

Esse é o quarto processo judicial aberto no Iraque contra dirigentes do antigo regime desde a queda do mesmo, após a invasão americana no país árabe em abril de 2003.

Os outros três julgamentos realizados foram o "caso Dujail", que teve Saddam condenado pelo massacre de 148 xiitas na aldeia de Dujail em 1982; o "caso Anfal", que levou à condenação à morte de "Ali Químico"; e o processo contra 15 dirigentes do antigo regime pela repressão da rebelião xiita de 1991 no sul do Iraque.

Durante o julgamento do ditador, Aziz, o único cristão do Governo de Saddam e um de seus mais estreitos colaboradores, compareceu ao tribunal como testemunha da defesa e assegurou que estava "orgulhoso" por ter servido ao ditador. EFE am-hh-ssa/fr

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