Corrupção e terrorismo voltam a ser o principal desafio peruano em 2008

Lima, 20 dez (EFE).- O segundo mandato do presidente do Peru, Alan García, foi marcado em 2008 por dois temas recorrentes de seu primeiro período à frente do país: a corrupção e o terrorismo, que retornaram à vida política peruana, embora com menor força que no passado.

EFE |

A corrupção, que foi tema predominante na imprensa e na classe política peruanas, teve início devido à concessão irregular de uma série de lotes petrolíferos para prospecção e terminou com a renúncia do primeiro-ministro Jorge del Castillo, após dois anos no poder.

O escândalo chamado de Petrogate foi revelado à opinião pública por meio de grampos telefônicos ilegais nos quais os principais protagonistas eram um empresário dominicano, Fortunato Canaán, que atuava como mediador junto às empresas, o ex-ministro peruano Rómulo León e Alberto Quimper, diretor da Perupetro, empresa responsável pela concessão dos lotes.

León e Quimper foram detidos, e outras 14 pessoas acabaram indiciadas, entre elas Canáan, o executivo mexicano Mario Díaz Lugo, e o presidente da Discover Petroleum - empresa norueguesa supostamente favorecida pela atuação de Quimper -, Jostein Kjerstad.

Todos foram acusados pelos crimes de formação de quadrilha e corrupção. César Gutiérrez, ex-presidente da estatal Petroperú, empresa que tinha conquistado em aliança com a Discover a concessão de cinco lotes petrolíferos, foi processado apenas por corrupção.

As conversas telefônicas também colocaram em maus lençóis o primeiro-ministro e os ministros de Minas e Energia, Juan Valdivia, e da Saúde, Hernán Garrido. Isso levou o presidente García a mudar seu Gabinete, enquanto o Congresso deu início a uma investigação do caso.

A rápida reação do Executivo, em meio a um clima de condenação pública aos envolvidos no Petrogate, rendeu frutos a García, que viu aumentar sua popularidade em 35% e decidiu que seu novo Gabinete seria presidido pelo político independente de esquerda Yehude Simon.

Popular líder regional, Simon era governador da região de Lambayeque (noroeste), e na década de 1990 esteve preso sob a acusação de possuir vínculos com o terrorismo.

Chegou ao cargo de primeiro-ministro com a fama de defensor ferrenho da luta contra a corrupção e de incentivador de consenso com forças da oposição.

No entanto, pouco após assumir o posto, Simon teve de enfrentar movimentos menos estruturados, de caráter local e regional, que organizaram protestos violentos em várias províncias. Em grande maioria, os manifestantes reivindicavam melhor distribuição de royalties da mineração e a construção de pontes e estradas.

Por outro lado, o Executivo de García também registrou alta no número de atentados terroristas, com o aumento de atividades subversivas nas regiões andina e amazônica do sul do país.

No fim deste ano, o balanço não é positivo, já que foi anunciada a morte de 26 policiais e militares em diferentes ataques, perpetrados sobretudo a partir de agosto, quando as forças de segurança tentaram recuperar o controle dos últimos redutos da subversão.

Outubro foi o mês mais trágico, com a morte de 15 oficiais e de dois civis em duas emboscadas organizadas por integrantes remanescentes do Sendero Luminoso na região de Huancavelica (centro-sul).

Os terroristas são responsáveis por proteger as rotas de entrada e saída de droga e provisões químicas para seu processamento, assim como atacar forças de segurança para evitar a presença do Estado em suas respectivas regiões.

Apesar de o Governo ter assegurado que os atentados eram resquícios isolados de subversão, muitos especialistas afirmaram que estava em evidência o "fracasso absoluto" do plano do Exército e da Polícia contra o terrorismo, e que o Estado peruano seguia "perdendo posições". EFE dub/fr

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