Veja galeria de fotoshttp://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/1040_corridaitalia/" / Veja galeria de fotoshttp://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/1040_corridaitalia/" /

Corrida italiana traz carros que fizeram história

Durante quatro dias, a partir desta quinta-feira, as estradas italianas vão ser cobertas por uma caravana de veículos que escreveram a história do automobilismo mundial, na famosa corrida de Mil Milhas. A largada e a chegada acontecem na cidade de Brescia, no norte da Itália. http://www.bbc.co.uk/portuguese/pop_galerias/080515_corridaitalia_pop.shtmlVeja galeria de fotoshttp://www.bbc.co.uk/portuguese/especial/1040_corridaitalia/

BBC Brasil |

O ponto mais distante é Roma. No total, os pilotos irão rodar 1,6 mil quilômetros.

Neste ano, 375 carros foram selecionados dentro de um universo de quase dois mil. Os critérios foram o de antigüidade, importância histórica e presença nas edições anteriores da corrida, criada em 1927 e interrompida apenas durante os anos da guerra.

Os veículos foram divididos de acordo com a cilindrada dos motores e nas categorias "Gran Turismo", "Turismo" e "Sport".

BBC
Augusta Belna cabriolet
Augusta Belna cabriolet, um dos carros que partitipará das Mil Milhas


Algumas marcas resistiram ao tempo, como a Fiat, a Ferrari, a Porsche e a Bentley. Já outras desapareceram pelo caminho como a DKW e a Gordini. A corrida é uma chance para ver de perto modelos de 59 casas automobilísticas pilotados por colecionadores de 29 nações, entre eles o francês Jean Alesi, ex-piloto da Fórmula 1.

Os carros devem ter apenas peças originais. Antes da largada, os veículos passam por um rigoroso exame de inspeção.

"Verificamos o estado do carro e a sua origem, o seu passado histórico", diz um técnico para a BBC Brasil. Cada carro de época tem uma espécie de árvore genealógica, e muitos são seguidos à distância pelos seus velhos proprietários.

Reencontros
A corrida possibilita reencontros. Como os de Giorgio e Nicoleta Barvas Grossi com o ex-piloto Rinaldo Parmiggiano, de 82 anos. O casal comprou um Alfa Romeu Giulietta Sprint Veloce que participou das Mil Milhas de 1957.

"Não sabíamos que o piloto que correu ainda estava vivo. Foi uma grande surpresa quando entramos em contato. Ele nos mandou uma foto daquele período e na dedicatória escreveu que o importante era participar. Vamos nos encontrar no Passo della Futa, entre Florença e Bolonha. O senhor Parmiggiano pediu apenas para ser fotografado de novo ao lado do carro", disse Nicoleta, emocionada, para a BBC Brasil.

Nesta competição, ninguém tem sede de vitória. Todos largam para se divertir e colocar à prova ruelas, parafusos, pneus, nervos e neurônios. Mais do que uma prova de velocidade, a corrida é hoje um teste de resistência para os carros e os pilotos.

"Tive apenas duas horas de sono desde ontem. Durante o trajeto, um pneu da carreta que transportava o meu carro estourou, mas continuamos assim mesmo. Com os solavancos, o interruptor da bomba de gasolina do carro se rompeu e ele não ligava. Foi uma luta para descobrir a origem do problema", afirmou Michele Orsi, dono de um Bandini, de 1953.

Na bagagem, ele leva algumas peças sobressalentes intuindo que vai quebrar justamente "aquela sem reposição", brinca ele.

À moda antiga
Com algumas mudanças, as Mil Milhas continuam sendo uma corrida à moda antiga. O piloto e o seu navegador somente podem guiar e se orientar usando os mapas e, claro, prestando atenção às indicações das placas nas estradas. Aparelhos que localizam a posição através de satélite pertencem ao futuro e não ao passado.

Já foi o tempo quando quem vinha atrás comia poeira, literalmente, como nos primeiros anos, nas estradas de terra batida.

O percurso, entre rodovias vicinais e principais, é praticamente todo asfaltado.

Por um lado, isso pode ser uma tentação para pisar no acelerador. Por outro, é bom conhecer bem os limites de velocidade para não ganhar uma multa: 50 km/h nos centros urbanos, 70 km nas estradas provinciais e 130km/h nas auto-estradas. Tudo em nome da segurança.

Acidentes
A corrida cobrou um tributo alto de acidentes com vítimas fatais ao longo da sua existência.

O pior aconteceu em 1957 quando o piloto espanhol Alfonso de Portago saiu da estrada a 300 km/h por causa de um pneu estourado. Ele e o jornalista Emundo Gurner Nelson, navegador da dupla, morreram juntamente com outros nove espectadores atropelados pela Ferrari desgovernada.

De lá para cá, a competição trocou a velocidade pela regularidade.

O recorde de 10 horas e 8 minutos, com uma média de 157 km/h, estabelecido pelo piloto Stirling Moss, campeão de 1955 a bordo de um Mercedez-Benz 300 SLR, ficou congelado no tempo.

E através de uma complicada equação matemática, os organizadores "calibram" o tempo levando em conta o modelo, o ano, a cilindrada do motor e a duração entre os trajetos medidos com o cronômetro manual.

    Leia tudo sobre: carros

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG