James Desborough é especialista em celebridades e foi promovido a editor do News of the World em Los Angeles em abril de 2009

A polícia britânica prendeu nesta quinta-feira mais um jornalista do extinto tabloide News of the World pelo escândalo de escutas ilegais . James Desborough, 38 anos, era correspondente do jornal em Hollywood, Los Angeles, e um dos maiores especialistas em celebridades, setor no qual se destacou por conseguir informações exclusivas e rendeu prêmios ao jornalista.

Última edição do tabloide News of the World foi às bancas em 10 de julho (10/7)
AP
Última edição do tabloide News of the World foi às bancas em 10 de julho (10/7)
De acordo com a Scotland Yard, que não divulgou a identidade do jornalista detido, o correspondente em Hollywood foi preso por suspeita de conspiração para interceptar comunicações.

Desborough foi preso na manhã desta quinta-feira e levado para prestar esclarescimentos às 10h30 em uma delegacia no sul de Londres. Acredita-se que as alegações de que o correspondente teria tido acesso a informações através de escutas telefônicas ilegais sejam relacionadas a eventos ocorridos antes de Desborough ser promovido a editor do tabloide em Los Angeles, em abril de 2009.

A prisão de Desborough é a 13ª no caso de grampos ilegais do tabloide. Além dele, outras figuras importantes foram presas, como Andy Coulson , ex-diretor do tabloide e ex-porta-voz do primeiro-ministro David Cameron, e Rebekah Brooks , ex-diretora do jornal e ex-chefe-executiva da News International, braço britânico da News Corp., de Rupert Murdoch . Todos os detidos anteriormente foram soltos sob pagamento de fiança.

James Desborough ganhou em 2009 o British Press Awards por reportagens exclusivas sobre celebridades. Dentre seus furos, está o de que a apresentadora britânica Fern Britton havia emagrecido depois de uma cirurgia de redução de estômago e não pela vida saudável e pela prática de exercícios, como alegava.

O jornalista trabalhava desde 2005 no tabloide de Rupert Murdoch e em 2009 foi enviado para a sucursal nos Estados Unidos, onde também houve denúncias de escutas telefônicas de familiares das vítimas dos atentados de 11 de Setembro de 2001.

Carta

Uma carta escrita em 2007 pelo ex-repórter tabloide Clive Goodman acusa a direção do jornal de saber e apoiar o uso de escutas ilegais para obter informações confidenciais.

Na carta endereçada ao diretor de Recursos Humanos da News International, Daniel Clocke, o ex-repórter afirmou que os grampos eram “amplamente discutidos” em reuniões editoriais e que ele não poderia ser demitido porque atuava com o consentimento de seus superiores. “A decisão é perversa porque as ações que levaram a essa ação criminal foram feitas com conhecimento e apoio total (da direção). E é inconsistente porque outros membros da equipe estavam fazendo o mesmo”, escreveu no documento divulgado na terça-feira pelo Parlamento britânico.

Na quarta-feira, a Comissão Independente de Queixas Policiais (IPCC) britânica encerrou uma investigação contra quatro ex-autoridades do alto escalão da Scotland Yard relacionada ao escândalo de escutas ilegais do extinto tabloide.

A vice-presidente da comissão, Deborah Glass, disse que não foram encontradas evidências de má-conduta da polícia durante as investigações sobre o escândalo. Segundo ela, embora o caso tenha abalado a confiança pública na Scotland Yard, cabe à sua organização identificar “o que é e o que não é conduta policial que mereça ser investigada”.

*Com EFE

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