Correa volta a mostrar sua força no Equador

Quito, 26 abr (EFE).- Rafael Correa venceu novamente a corrida pela Presidência do Equador, desta vez já no primeiro turno, segundo os primeiros dados oficiais divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

EFE |

Com 11,46% da apuração completada, quase sete horas depois do fechamento das urnas, Correa, líder do Movimento Aliança País, obtinha 49,01% dos votos, enquanto concorrente seu mais direto, o ex-militar e ex-presidente Lúcio Gutiérrez, aparecia com 31,63%.

As pesquisas de boca-de-urna previam para Correa uma vitória entre 54% e 56% dos votos, enquanto Gutiérrez receberia de 19% a 31%.

Gutiérrez, do Partido Sociedade Democrática, se negou a reconhecer o triunfo de Correa até conhecer os resultados oficiais.

Já o terceiro mais votado na disputa, o multimilionário Álvaro Noboa, do Partido Renovação Institucional Aliança Nacional (Prian), com 11,03%, reconheceu o triunfo do atual governante equatoriano.

Para que Correa seja eleito no primeiro turno, ele precisa ter a maioria absoluta dos votos válidos ou 40% dos votos com uma diferença de 10 pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Em Guayaquil, a principal cidade do país, Correa agradeceu aos equatorianos pela confiança que voltaram a demonstrar, "um apoio histórico".

O presidente do Equador, que entrou na arena política em 2005, escreve mais uma página em seu livro de triunfos eleitorais, pois o respaldo do povo a este economista de 46 anos se repetiu em cada uma das seis últimas convocações a eleições desde 2006.

Nesse livro estão as eleições de 15 de outubro de 2006 e 26 de novembro, nas quais Correa chegou ao poder, em segundo turno.

Um novo respaldo chegou no dia 15 de abril de 2007, quando foi aprovada em plebiscito a redação de uma nova Carta Magna.

Uma vez redigida a nova Constituição, os equatorianos deram novamente seu respaldo ao preidente em plebiscito de 28 de setembro do ano passado, frente às teses da oposição.

Na nova Carta Magna, que permite a reeleição por um período consecutivo, se exigia a convocação de pleito geral, no qual hoje Correa voltou a derrotar a oposição.

Em 2006, quando Correa assumiu o poder, os partidos políticos tradicionais, como o Social Cristão (PSC), o Roldosista Equatoriano (PRE) e a Esquerda Democrática, entre outros, tinham ampla influência na arena política do país.

A chegada de Correa ao poder marcou uma mudança no cenário eleitoral, caracterizado pela perda de espaço dos partidos tradicionais, o isolamento de grupos sociais antes influentes, como a Confederação de Nações Indígenas, e o poder nas mãos de novos atores sociais.

Também marcou um abalo na relação da imprensa com o chefe de Estado, pois Correa criticou duramente alguns veículos ao acusá-los de serem vozes do esquema neoliberal com o qual se governou em favor da elite e em detrimento dos mais pobres.

O presidente enfrentou a influência da imprensa com as mesmas armas e, em seu programa semanal de rádio, transmitido para todo o país, informa sobre seus trabalhos e projetos, além de responder ou atacar seus adversários políticos.

Os opositores criticam Correa por considerar que abuso dos meios de comunicação para se promover, mas o Governo se defende apontando que é uma "obrigação" do presidente informar sobre seus trabalhos ao povo.

Agora, a oposição se depara com um difícil obstáculo na figura de Correa, que não dá trégua em seus ataques contra o que chama de "partidocracia" e veículos de comunicação "corruptos".

O Governo equatoriano diz que respeita a opinião alheia e lembra que não fechou nenhum veículo de imprensa e nem ordenou a prisão dos que discordam com a Administração.

O olhar político se volta agora para a Assembleia Nacional, onde a oposição procura se refugiar para enfrentar Correa, embora a formação desta ainda não seja conhecida.

As primeiras pesquisas de boca-de-urna concedem também uma maioria de 61 cadeiras - de um total de 124 - ao Movimento Aliança País, que Correa lidera.

Já o Partido Sociedade Patriótica, de Gutiérrez, teria 23 deputados, enquanto a demais legendas não superariam o número de 10 representantes. EFE ei/mh

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