QUITO (Reuters) - O presidente do Equador, Rafael Correa, responsabilizou nesta quinta-feira a oposição do país por possíveis distúrbios e atos de violência durante a campanha eleitoral para o referendo sobre a nova proposta de Constituição. Correa alertou para possíveis atos violentos na campanha eleitoral, no momento em que o país debate o enfrentamento ocorrido entre grupos de estudantes que defendiam posições contra e a favor da nova proposta.

O confronto, durante a apresentação de Correa em uma rede de rádio na Universidade Católica de Guayaquil, começou com trocas de acusações entre o presidente e a oposição de incitar distúrbios para promover o 'sim' e o 'não' no referendo de 28 de setembro.

'Haverá incidentes por parte da direita. Desde já, nós os responsabilizamos por todos os incidentes e atos violentos.

Esta oligarquia, esta direita, que por estar caindo aos pedaços, não sabe o que fazer', disse Correa em uma entrevista.

O presidente assegurou que tem grandes possibilidades de conseguir um novo triunfo nas urnas, o que o permitiria colocar em prática seu plano político para converter o país ao socialismo.

O projeto constitucional propõe uma reeleição imediata do presidente, maiores poderes para o Executivo e a presença do Estado em áreas estratégicas da economia.

Depois dos incidentes, a oposição questionou os discursos de Correa, argumentando que o presidente estimula a população a defender suas posições e gera confrontamentos entre vários setores, entre eles a Igreja Católica, os grupos econômicos e meios de comunicação.

'Haverá incidentes, o mesmo que a direita fez na Venezuela e na Bolívia', acrescentou Correa, que frequentemente adverte a população sobre as 'manobras' que os partidos políticos tradicionais utilizam para boicotar seu plano.

Pesquisas revelam que Correa estaria próximo de conseguir o apoio popular que necessita para obter um triunfo no referendo.

(Por Alexandra Valencia)

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