Correa recebe posse indígena de seu segundo mandato na Presidência do Equador

Cayambe (Equador) 9 ago (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, que assumirá oficialmente seu segundo mandato no cargo nesta segunda-feira, recebeu hoje o apoio da comunidade indígena do país em La Chimba, onde viveu a histórica líder Tránsito Amaguaña, e passou por um ritual de purificação para governar de coração.

EFE |

Estiveram presentes na cerimônia, na qual Correa recebeu o bastão de comando, o presidente boliviano, Evo Morales, que tem origem indígena; a guatemalteca Rigoberta Menchú, Prêmio Nobel da Paz em 1992; além de vários ministros de Estado e um público de 500 pessoas, indígenas em sua maioria.

Nas palavras de Franklin Columba, o taita yachakt (pai sacerdote) que conduziu a cerimônia, o bastão de comando não é para mandar, mas para que "os avôs e avós" ancestrais e sagrados da cultura andina o guiem.

Conduzido pelos sacerdotes indígenas até um círculo de flores, Correa se submeteu a um ritual de purificação entre fumaças de incensos com plantas sagradas da cultura andina. Mais tarde, em um altar construído entre o público, junto a Morales e Menchú, realizou uma oração de pedido aos ancestrais em uníssono com o público.

"Pai e Mãe, fazedores deste mundo, guie-os pelos bons caminhos a nossos caminhos, para que construam o bem do povo, para o povo", recitaram ao redor do fogo sagrado "do amor e da sabedoria".

Correa recebeu de presente na cerimônia um poncho vermelho, da cor da terra, para que "o fogo sempre lhe cubra".

Além dos atos da posse indígena, foi inaugurado em La Chimba um centro cultural sobre a vida e a luta pelos direitos indígenas de Tránsito Amaguaña, que morreu aos 100 anos de idade em maio deste ano.

Os presentes fizeram suas as reivindicações que marcaram a vida de Amaguaña para celebrar também o dia internacional dos povos indígenas.

Na cerimônia, Menchú disse que é necessário que "existam de verdade na América Latina os Estados plurais, que reconheçam a diversidade e a promovam, pois só assim entenderemos também a diversidade natural de nossa mãe terra", disse.

Morales lembrou que, ao longo da história, "existiram impérios que tentaram o extermínio dos povos indígenas" e que ainda hoje se trava "uma batalha permanente contra novos impérios, que querem impor políticas alheias a nossas vivências".

"Mas os povos indígenas nunca morreram apesar dessas políticas de extermínio. Estamos trabalhando unidos e organizados", assegurou o presidente boliviano entre o aplauso dos presentes ao assinalar que "há impérios, grupos e famílias que não querem deixar seu poder político e econômico".

Por fim, Correa, que fez a primeira parte de seu discurso na língua indígena quíchua, antecipou que amanhã, em sua fala após a posse oficial na Assembleia, ratificará as opções preferenciais de seu Governo: os pobres, os jovens e os povos ancestrais.

O chefe de Estado afirmou que o povo equatoriano ainda aprende com as lições de Tránsito Amaguaña, que em suas lutas "se parece muito com a pátria, a nossa revolução, (pois) nasceu contra a morte".

Correa convocou o povo equatoriano a levantar uma nova bandeira "de esperança" e um novo hino "à alegria, à solidariedade, ao amor repartido por igual entre todos em nome de uma nova democracia".

"Para radicalizar esta revolução autêntica e soberana, não vamos utilizar balas ou pedras, vamos utilizar lápis, caminhos e dignidade", disse o presidente equatoriano, e acrescentou que "não há razão que justifique a subjugação de nossos povos indígenas e afro-americanos". EFE ic/bba

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