O presidente do Equador, Rafael Correa, foi acusado pela oposição de querer se perpetuar no poder, por meio desta nova Carta Política a ser aprovada nesta quinta-feira pela Constituinte, que é controlada pelo governo.

"Essa Constituição trata é de perenizar o presidente no poder para que possa, dessa forma, controlar todos os atos de nossas vidas", expressou a parlamentar Anabella Azín, do partido Prian (de direita), acrescentando que o documento foi elaborado por "assessores estrangeiros e pelo bureau político" do governo.

A Carta Magna, que será submetida a referendo em 28 de setembro, inclui reformas que permitem ao presidente buscar uma única reeleição e dissolver o Congresso sob certas condições.

Já Pablo Lucio Paredes, do movimento Futuro Ya, disse que o objetivo era uma Carta Magna includente, mas "isso não foi o que conseguimos na Assembléia".

"Foi um espaço concentrador de poder e, no final do caminho, temos uma Constituição que é o reflexo de uma única visão", lamentou, acrescentando que "há um excessivo presidencialismo".

"O governo pode dissolver o Congresso por temas subjetivos. Não se atacam os problemas políticos fundamentais, e o Estado fica com um papel intervencionista e superprotetor", completou Paredes, em conversa com a AFP.

Segundo Anabella Azín, o órgão "foi manipulado por pessoas que não foram eleitas pela vontade do povo", o que gerou uma Constituição que "concentra poder no presidente, dá um poder ilimitado ao presidente".

"Destrói-se a base da democracia, que é o balanço dos poderes", atacou a assembleísta, insistindo em que o socialismo do século XXI, promovido por Correa, junto com seu amigo e aliado venezuelano Hugo Chávez, "é irrealizável".

Anabella destacou que a nova Carta Política fecha as portas para o investimento privado, devido à falta de garantias para que "se possa produzir de acordo com as regras de livre mercado".

"Todos os órgãos de controle agora têm um nome, Aliança País", expressou, por sua vez, Roberto Ponce, também do Prian, advertindo que os investimentos "estão fugindo (...) estamos convencidos de que isso vai gerar pobreza".

O presidente, que tem certeza de que conseguirá uma esmagadora vitória no referendo constitucional, negou que o documento tenha sido redigido para seu próprio interesse e descartou uma estatização da economia.

"A má-fé diz agora que se convocou uma Assembléia Constituinte para que faça uma Constituição na medida de Rafael Correa", ironizou o governante, garantindo que, desde antes de chegar à presidência, em 2006, vinha pedindo uma nova Carta Política para "superar o neoliberalismo" e uma "revolução cidadã para mudar o país, radicalmente, em paz e em democracia".


Leia mais sobre: Equador

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.