O presidente do Equador, Rafael Correa, disse nesta quarta-feira que é impossível controlar a infiltração das Farc no seu território e exigiu que a Colômbia pare com o que chamou de campanha midiática contra seu país. Em entrevista ao correspondente da BBC em Paris Gerardo Lissardy, Correa criticou a Colômbia pela conduta do governo após a invasão do território equatoriano, em março.

Na ocasião, a Colômbia matou um dos principais líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, Raúl Reyes.

O presidente colombiano Álvaro Uribe acusa o Equador de servir como porto seguro para guerrilheiros das Farc.

"Vim (para a França) para dizer a verdade e para contestar uma campanha midiática que o governo colombiano iniciou de descrédito do nosso país para justificar o bombardeio", disse Correa.

'Por milagre'
Nas últimas semanas, o governo do presidente Álvaro Uribe divulgou dados que estariam no computador de Reyes e provariam as relações das Farc com os governos de Equador e Venezuela.

"Supostamente, por milagre, conseguiram salvar os computadores que nos relacionam com as Farc e agora nós que devemos pedir desculpas praticamente, segundo o governo colombiano", afirmou equatoriano.

"Isso é inaceitável. Viemos dizer ao mundo que não temos nada a ver com as Farc. O único contato que tínhamos era humanitário. O problema da América Latina não são os vizinhos da Colômbia. O problema é a Colômbia."
Correa disse que o governo equatoriano não tem relações com as Farc e já desmantelou mais de 100 acampamentos do grupo guerrilheiro nos últimos anos, "47 deles na minha gestão", disse.

Sobre a infiltração de guerrilheiros no território equatoriano, Correa disse que "nem os Estados Unidos podem evitar a imigração, e por isso estão construindo um muro na fronteira com o México".

Ele afirmou que é responsabilidade da Colômbia de controlar o fluxo dos integrantes das Farc.

Apesar das críticas ao presidente colombiano, o equatoriano defendeu o diálogo entre os dois governos.

"(Se eu encontrasse Uribe) o saudaria como representante de um país irmão. Como estadista que sou, e responsável por todo um povo, o povo equatoriano, sei que precisamos conversar com o presidente Uribe o mais rápido possível. Agora a confiança nele jamais será restabelecida."
Correa também criticou as Farc e disse que é impossível reconhecer o grupo como força beligerante, já que eles praticam seqüestros de inocentes e atos de terrorismo "que seriam rechaçados até mesmo por Che Guevara".

Em Paris, Correa se encontrou com o presidente francês Nicolas Sarkozy para pedir apoio ao plano equatoriano de servir como base para libertação de reféns das Farc.

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